Têm milhões de seguidores na internet e são atores importantes na mensagem política de direita desde a presidência de Donald Trump: e, aparentemente, trabalhavam para uma empresa de fachada para um operação de influência russa, acusaram esta sexta-feira procuradores dos EUA.
De acordo com as autoridades americanas, uma empresa de media ligada a seis influencers conservadores – incluindo Tim Pool, Dave Rubin e Benny Johnson – foi secretamente financiada por funcionários dos media estatais russos para produzir vídeos em inglês, “muitas vezes consistentes com o interesse” do Kremin, para enfraquecer a oposição americana aos interesses russos, sobretudo na guerra na Ucrânia.
Esta é já a terceira eleição presidencial consecutiva em que as autoridades dos EUA revelaram detalhes sobre a tentativa de interferência russa – neste caso, a acusação indica que Moscovo pode estar a tentar capitalizar a popularidade crescente de podcasters de direita, livestreamers e criadores de conteúdos que encontraram carreiras de sucesso nas redes sociais desde que Trump assumiu a Casa Branca.
O Departamento de Justiça dos EUA não alega, no entanto, qualquer irregularidade por parte dos influencers, alguns dos quais dizem ter recebido informações falsas sobre a fonte de financiamento da empresa. No entanto, acusou dois funcionários da ‘RT’, empresa estatal russa, de canalizar quase 10 milhões de dólares para uma empresa de criação de conteúdo sediada no Tennessee para conteúdos pró-Rússia.
As autoridades americanas têm vindo a alertar sobre a utilização de Moscovo de americanos involuntários para realizar operações de influência nas eleições de novembro próximo.
Com o declínio dos meios de comunicação tradicionais, como os jornais, e os limites à publicidade direta nas plataformas de redes sociais, os influencers desempenham cada vez mais um papel fundamental na política e na formação da opinião pública: é prática habitual, tanto dos partidos Republicano e Democrata, convidarem dezenas de influencer para as suas convenções nacionais neste verão.
Embora a acusação não indique o nome da empresa sediada no Tennessee, parece ser a ‘Tenet Media’, empresa de meios digitais que se orgulha de acolher “uma rede de comentadores heterodoxos centrados em questões políticas e culturais ocidentais”. Os seis principais influencers da ‘Tenet Media’ têm mais de 7 milhões de assinantes no YouTube e mais de 7 milhões de seguidores no X. Os quase 2 mil vídeos postados pela empresa tiveram mais de 16 milhões de visualizações somente no YouTube, segundo os promotores.
De acordo com a acusação, alguns dos influencers foram bem pagos pelo seu trabalho: um contrato revelado avançou uma taxa mensal de 400 mil dólares (cerca de 360 mil euros), um bónus de assinatura de 90 mil euros e um bónus de desempenho adicional.









