Operação Marquês: Sócrates com dois advogados oficiosos nomeados em separado

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção

Executive Digest com Lusa

O julgamento do processo Operação Marquês continuou esta quarta-feira com o antigo primeiro-ministro José Sócrates a ter na sala, a partir das 11h10, dois advogados oficiosos para o defender, nomeados por entidades distintas.

A circunstância aconteceu depois de no início da sessão, pelas 10:30, o tribunal ter considerado regularizada a representação do ex-governante por parte de Luís Carlos Esteves, nomeado na terça-feira pelo Conselho Geral da Ordem dos Advogados (OA).

A decisão do coletivo de juízas presidido por Susana Seca surgiu após ter dado entrada no processo a deliberação do Conselho Geral da OA a chamar a si a competência que tinha sido delegada nos conselhos regionais para designar advogados oficiosos em processos de especial complexidade.

No entanto, a essa hora Luís Carlos Esteves não se encontrava ainda na sala de audiências, o que levou a que José Sócrates continuasse a ser representado por Humberto Monteiro, o advogado de escala nomeado na terça-feira pelo tribunal para assegurar a continuidade do julgamento enquanto se aguardavam os esclarecimentos da OA.

Luís Carlos Esteves acabou por chegar às 11h10, tendo-se sentado na sala de audiências, sem que fosse interrompida a audição em curso do interrogatório de José Sócrates no Tribunal Central de Instrução Criminal após ser detido em 2014 ou que Humberto Monteiro abandonasse o julgamento.

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Pelas 12h, permaneciam ambos em tribunal a ouvir a gravação.

Apesar de ter sido dada como regularizada a representação do antigo primeiro-ministro por parte de Luís Carlos Esteves, a conclusão foi posta em causa por advogados de defesa de outros arguidos, tendo o coletivo de juízas remetido uma decisão para o início da tarde.

O chefe de Governo entre 2005 e 2011 tem até hoje para escolher um advogado, depois de os últimos três nomeados por si e não pelo Estado terem renunciado à sua defesa, em desacordo com as magistradas.

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José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.

Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo estimou o tribunal em novembro, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.

O julgamento decorre desde 03 de julho de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

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