Operação Marquês: Prescrição livra Sócrates de acusação de crimes relacionados com casa de Paris

A alegação do Ministério Público é de que Sócrates seria o verdadeiro proprietário do imóvel, avaliado em cerca de 2 milhões de euros, que estava oficialmente em nome de Carlos Santos Silva, um amigo próximo e alegado testa de ferro. Santos Silva também está livre desta acusação, na qual era coautor.

Revista de Imprensa

A acusação de falsificação de documentos contra o ex-primeiro-ministro José Sócrates, no âmbito do processo ‘Operação Marquês’, referente à casa de Paris, prescreveu. O crime em questão diz respeito ao alegado contrato de arrendamento fictício do apartamento onde Sócrates residiu entre setembro de 2012 e julho de 2013. A alegação do Ministério Público é de que Sócrates seria o verdadeiro proprietário do imóvel, avaliado em cerca de 2 milhões de euros, que estava oficialmente em nome de Carlos Santos Silva, um amigo próximo e alegado testa de ferro. Santos Silva também está livre desta acusação, na qual era coautor.

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Apesar da prescrição deste crime específico, dois outros crimes no processo têm prazos de prescrição que expiram em abril e julho de 2025, respetivamente. Para evitar novas prescrições, seria necessário que o juiz de instrução tomasse uma decisão célere e que o julgamento fosse realizado em tempo recorde. Contudo, uma parte significativa da ‘Operação Marquês’ foi invalidada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, e o processo foi devolvido à fase de instrução. Como resultado, os crimes imputados a Sócrates e a Santos Silva, que incluem três acusações de falsificação e três de branqueamento de capitais, estão agora essencialmente de volta à estaca zero.

O processo foi recentemente remetido ao juiz Ivo Rosa, que agora está no Tribunal da Relação de Lisboa, mas até ao momento o magistrado não se pronunciou sobre a possibilidade de reavaliar a decisão anterior. Esta situação promete gerar novos recursos e requerimentos das defesas, aumentando ainda mais a complexidade jurídica do caso.

Várias fontes ligadas ao processo confirmaram ao Correio da Manhã (CM) que a prescrição do crime de falsificação é automática nesta fase. Com o processo devolvido ao Tribunal Central de Instrução Criminal, a responsabilidade de declarar a prescrição recai sobre o juiz responsável, seja ele Ivo Rosa ou outro magistrado designado. Esta decisão deverá ocorrer após as férias judiciais, previstas para setembro.

Pedro Delille, advogado de José Sócrates, declarou ao CM: “O engenheiro José Sócrates será absolvido de todos os crimes. A vitória do Ministério Público é a prescrição dos crimes.” Este comentário reflete a confiança da defesa na absolvição de Sócrates, apesar da complexidade e das várias reviravoltas no processo.

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Em janeiro deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa reverteu parcialmente a decisão instrutória do juiz Ivo Rosa, determinando que Sócrates fosse julgado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal. Este desdobramento sublinha o caráter multifacetado e em constante evolução do processo.

A ‘Operação Marquês’ foi inicialmente conduzida pelo procurador Rosário Teixeira. Quase uma década após a detenção de José Sócrates no Aeroporto de Lisboa, o caso ainda não chegou a julgamento. Em contraste, figuras como Ricardo Salgado e Armando Vara já foram julgados e condenados no contexto do mesmo processo.

Em 2017, Sócrates e Carlos Santos Silva enfrentaram acusações iniciais pelo Ministério Público de 31 e 33 crimes, respetivamente, refletindo a amplitude e a gravidade das alegações contra eles.

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