ONU: Guterres alerta que o mundo está “à beira do abismo” climático

O ano passado foi um dos três anos mais quentes de sempre, marcado por incêndios florestais, secas, inundações e degelo. No mais recente relatório das Nações Unidas, lançado esta segunda-feira, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres chegou mesmo a dizer que o mundo está “à beira do abismo”.

Além dos eventos climáticos extremos, as restrições de confinamento associadas à pandemia também atrasaram a assistência crucial em algumas regiões, disse o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), referindo um “golpe duplo” que atingiu milhões de pessoas.

“Estamos à beira do abismo. Estamos a assistir a níveis recordes em tempestades tropicais, no degelo, em relação a secas, ondas de calor e incêndios florestais”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, à agência Reuters. “O clima está em mudança e os impactos são já demasiado pesados para as pessoas e para o planeta”, acrescentou, reforçando que “este é o ano da ação”.

O relatório “Estado do Clima Global”, publicado nas vésperas da “Cimeira de Líderes do Clima” (22 e 23 de abril), convocada pelo presidente dos EUA, mostra que a temperatura média global em 2020 estava cerca de 1,2 graus Celsius acima do período pré-industrial, classificando-a entre os três anos mais quentes de sempre, a par de 2016 e 2019, apesar da diminuição da temperatura causada pelo La Niña.

Mais de 80% da área dos oceanos viveu pelo menos uma onda de calor no ano passado e 45% experienciou mesmo uma “forte” onda de calor marinho, o que contribui para acelerar a subida do nível médio do mar, a par com o degelo verificado na Gronelândia (menos 152 gigatoneladas de gelo) e na Antártida (cerca de 200 gigatoneladas, o que corresponde ao dobro da descarga de água do rio Reno para o mar).

Além disso, acentuaram-se as secas e as inundações em África, na América do Sul e na Ásia, o ano de 2020 registou um número recorde de tempestades tropicais, com 30 registadas no Atlântico Norte e os Estados Unidos passaram pelos maiores incêndios de sempre e pelo maior número de furacões que atingiram o continente.

As medidas destinadas a conter a propagação da Covid-19 atrasaram a assistência após o ciclone Harold, uma das mais fortes tempestades já vistas no Pacífico Sul, e após o ciclone Vongfong nas Filipinas, onde as regras de distanciamento social impediram que os residentes fossem retirados dos locais.

As Nações Unidas espera, com este relatório “de consciência”, intensificar o compromisso das economias para com o ambiente.

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