ONU faz apelo a Putin: É preciso abrir os portos ucranianos ou “milhões de pessoas em todo o mundo vão morrer”

David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos da ONU, apelou a presidente russo para permitir saída de navios

Francisco Laranjeira

David Beasley, diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas), apelou esta sexta-feira ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para que reabra os portos ucranianos do Mar Negro, como os de Odessa e de Kherson. Carregamentos alimentares, especialmente grãos, estão presos na Ucrânia devido ao bloqueio russo, impedindo a saída dos barcos.

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“Se tem alguma compaixão pelo resto do mundo, independentemente de como se sente em relação à Ucrânia, precisa de abrir esses portos. Milhões de pessoas em todo o mundo vão morrer”, exortou o oficial da ONU, em entrevista à ‘CNN’, afirmando que se os portos não forem reabertos nos próximos dois meses a economia ucraniana vai colapsar completamente. “Fica sem litoral como a Moldávia. Os portos são críticos”, explicou. A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de commodities agrícolas, como milho e trigo.

A 6 de maio último, a agência alimentar das Nações Unidas garantiu que quase 25 milhões de toneladas de grãos estão presas na Ucrânia, já que os soldados russos controlam grande parte dos portos do sudeste do país.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também pediu à Rússia que acabe com o bloqueio e permita que a comida saia. “Sem as nossas exportações agrícolas, dezenas de países em diferentes partes do mundo já estão à beira da escassez de alimentos. E com o tempo, a situação pode tornar-se terrível”, explicou o presidente ucraniano. “Esta é uma consequência direta da agressão russa, que só pode ser superada em conjunto – por todos os europeus, por todo o mundo livre.”

Enquanto a Rússia puder bloquear o embarque de grãos da Ucrânia para outros lugares da Europa, o Kremlin pode efetivamente controlar as pressões económicas que podem forçar os países ocidentais a reconsiderar muitas das sanções já impostas contra a Rússia.

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