“Onde quer que eu esteja, serei, sempre, um vosso camarada”: Gouveia e Melo diz adeus à Marinha e prepara-se para novo capítulo

Num discurso marcado pela emoção e gratidão, o chefe do Estado-Maior da Armada encerrou três anos de liderança, agradecendo aos militares que o acompanharam ao longo de uma carreira de 45 anos.

Pedro Gonçalves
Dezembro 20, 2024
18:55

O almirante Gouveia e Melo despediu-se oficialmente da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional esta sexta-feira, em cerimónias realizadas em Lisboa e no Alfeite (Almada). Num discurso marcado pela emoção e gratidão, o chefe do Estado-Maior da Armada encerrou três anos de liderança, agradecendo aos militares que o acompanharam ao longo de uma carreira de 45 anos.

“Agradeço-vos do fundo do meu ser, a vossa coragem, a vossa lealdade e a vossa prontidão, nesta aventura de 45 anos que está prestes a terminar. Tenham fé, esperança e uma grande força interior para viverem este sonho, que é a vida na Marinha. E nunca deixem de ter orgulho na nossa condição de marinheiros, pois fostes fiéis ao nosso sonho e irredutíveis no amor e dedicação à Pátria. Muito obrigado! E onde quer que eu esteja, serei, sempre, um vosso camarada”, declarou o almirante, visivelmente emocionado.

O futuro após a Marinha
Gouveia e Melo já havia anunciado, no início desta semana, a sua decisão de passar à reserva até ao final do ano, confirmada em entrevista à Rádio Renascença. O almirante justificou a escolha com o desejo de recuperar liberdade nos seus direitos cívicos, frisando que a decisão não implica necessariamente uma candidatura à Presidência da República.

“Continuar no activo retira-me alguma liberdade nos meus direitos cívicos e, portanto, não vejo necessidade de continuar no activo”, explicou. Questionado sobre a possibilidade de se candidatar a Belém, foi prudente: “Não abordo esse assunto enquanto estiver no activo.”

O mandato de Gouveia e Melo como chefe do Estado-Maior da Armada termina oficialmente a 27 de dezembro, e o almirante já afirmou não ver “nenhuma utilidade em continuar no activo” após essa data.

A hipótese de Belém
Apesar de evitar confirmações, o nome de Gouveia e Melo tem estado em destaque como possível candidato à Presidência da República, beneficiando da notoriedade conquistada enquanto coordenador da Task Force de vacinação contra a Covid-19. Numa entrevista à RTP, em setembro, Gouveia e Melo deixou em aberto a possibilidade: “Não incluo nem excluo a possibilidade da candidatura.”

Uma sondagem recente da Intercampus coloca-o como o favorito na sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, com 23,2% das preferências dos inquiridos, uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre Pedro Passos Coelho, o segundo colocado.

Ao mencionar Ramalho Eanes, último militar a ocupar a chefia do Estado, Gouveia e Melo destacou o legado deste: “A população portuguesa tem de estar muito agradecida ao último militar que esteve no cargo, que é o general Ramalho Eanes.”

Embora o almirante tenha reiterado que o início de 2024 será dedicado ao descanso, o caminho para uma eventual candidatura estará aberto a partir de fevereiro. Contudo, não há indicações claras sobre que forças políticas poderão apoiar a sua candidatura.

Entre os seus apoiantes, destaca-se o reconhecimento pelo papel decisivo que desempenhou no combate à pandemia, um momento que consolidou a sua imagem de liderança, organização e eficácia.

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