OMS: Países que se apressam a suspender medidas de contenção podem enfrentar «crise económica grave»

Um alerta dado pelo director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Adhanom Ghebreyesus, esta sexta-feira.

Simone Silva

Os países que se apressam a suspender as medidas restritivas de contenção da pandemia de Covid-19, correm o risco de enfrentar uma «crise económica ainda mais grave e prolongada», bem como um ressurgimento do vírus, de acordo com um alerta dado pelo director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Adhanom Ghebreyesus, esta sexta-feira.

«Estamos todos conscientes das profundas consequências sociais e económicas da pandemia», disse Tedros durante a conferência de imprensa diária, em Genebra. «Em última análise, a melhor forma de os países terminarem com as restrições e aliviarem a sua economia é atacar o vírus», defende.

O responsável apelou ainda aos países que ajudem os seus cidadãos, implementando programas de assistência social, movendo barreiras financeiras e garantindo que as medidas de saúde pública sejam «totalmente financiadas».

«Se as pessoas atrasam os cuidados ou os evitam porque não podem pagar, não se prejudicam apenas a si próprias, mas também tornam a pandemia mais difícil de controlar, pondo em risco a sociedade», afirmou. «Esta é uma crise sem precedentes que exige uma resposta sem precedentes».

A OMS referiu também esta sexta-feira que cada vez mais pessoas jovens estão a adoecer gravemente e muitas delas a morrer devido ao coronavírus que agora se propaga por quase todos os países do mundo.

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«Estamos a observar cada vez mais e mais jovens que adoecem gravemente», disse a Dra. Maria Van Kerkhove, chefe da unidade emergente de doenças da OMS. «Através dos dados de vários países da Europa, é possível verificar mortes em pessoas com 30 e 40 anos, que se encontravam nas unidades de cuidados intensivos. Alguns desses indivíduos tinham problemas de saúde associados, mas outros não»,afirma.

A nível global, existem mais de um milhão de casos confirmados de Covid-19 e pelo menos 55.781 vítimas mortais, de acordo com dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. O surto, que surgiu na China há cerca de três meses, afectou fortemente as economias à medida que as cidades entraram em ‘bloqueio’ total e algumas pessoas estão impossibilitadas de trabalhar.

No início da semana, as autoridades da OMS disseram estar «profundamente preocupadas» com a «rápida dimensão e propagação global» do surto. «Nas últimas cinco semanas, testemunhámos um crescimento quase exponencial do número de novos casos, atingindo quase todos os países, territórios e áreas», disse Tedros na quarta-feira.

Na segunda-feira, funcionários da OMS disseram que os bloqueios dos governos não são suficientes para conter o surto de coronavírus. No entanto, são necessários, «apesar do impacto na economia e na sociedade», uma vez que na sua ausência a epidemia mataria ainda mais pessoas.

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«Isto é sério. Este é um vírus mortal, as pessoas vão passar por isto, os países vão passar por isto», disse Mike Ryan, director executivo do programa de emergências de saúde da OMS.

«Os líderes mundiais têm de construir os seus sistemas de saúde pública se quiserem sair de um ciclo interminável de bloqueios e paralisações economicamente prejudiciais», disse Ryan. «Temos de voltar para poder controlar o vírus, conviver com ele, desenvolver as vacinas necessárias para finalmente erradicá-lo».

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