A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que «não há dúvidas» de que as alterações de temperatura, chuva e humidade estão a provocar surtos de doenças infecciosas em todo o mundo. Contudo, o impacto das alterações climáticas no novo coronavírus ainda não é conhecido, de acordo com a ‘CNBC’.
Embora os cientistas ainda se encontrem a estudar e a tirar ensinamentos sobre a Covid-19, o vírus mostrou ter a capacidade de «acelerar em vários ambientes climáticos diferentes», disse Maria Van Kerkhove, directora da unidade de emergência de doenças infecciosas da OMS, durante a conferência de imprensa diária desta quarta-feira.
«Se bem se recordam, a epidemia começou com temperaturas muito frias e secas e um nível de humidade muito baixo», disse a responsável, acrescentando que «Ainda não conhecemos o impacto completo deste vírus».
A China deu a conhecer os seus primeiros casos de coronavírus à OMS a 31 de Dezembro, quando o país se encontrava no meio do inverno. Desde então, o vírus difundiu-se por quase todos os países do mundo e infectou mais de dois milhões de pessoas em vários ambientes climáticos diferentes.
Mike Ryan, director executivo do programa de emergências em saúde da OMS, disse que existem muitas outras doenças conhecidas que são «sensíveis ao clima».
«Já vimos surtos de cólera em todo o mundo que estão relacionados com inundações ou secas, ou a muita água ou a pouca água», disse o responsável, adiantando que determinados ambientes, nomeadamente cidades densamente povoadas, também podem fazer aumentar os riscos de doenças infecciosas.
Recorde-se que no mês passado, as autoridades de saúde dos EUA alertaram os americanos para um eventual segundo da pandemia no país. Cientistas afirmam que o vírus pode ser sazonal e acabar por desaparecer em ambientes mais quentes, tal como a gripe, o que significa que também pode voltar nas estações mais frias.
«A pandemia pode muito bem tornar-se num ciclo sazonal», disse Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, numa conferência de imprensa na Casa Branca, a 25 de Março. Contudo, ainda não existem evidências concretas e os cientistas continuam a analisar as origens do vírus.
Também a densidade populacional é apontada como outro dos factores decisivos para a propagação do surto. O Paquistão, que tem mais de seis mil casos de Covid-19,«tem se esforçado para eliminar a infecção por coronavírus em alguns dos seus maiores centros urbanos», disse Ryan. O responsável acredita que a densidade populacional da cidade de Nova Iorque, que tem cerca do dobro de pessoas do que Los Angeles, tenha ajudado a impulsionar o surto de coronavírus no local.
«De várias formas, infelizmente, estas populações funcionam quase como um incêndio e não apenas um incêndio da Covid-19, mas de qualquer outra doença» disse Mike.





