A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou esta segunda-feira que a pandemia de Covid-19 é «a maior crise sanitária global do nosso tempo» e que há agora «mais casos e mortes no resto do mundo do que na China». Os próximos tempos serão «um teste à capacidade de resolução, de confiança na ciência e de solidariedade», antecipou.
Em conferência de imprensa em Genebra, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou para que sejam realizados testes a todos os casos suspeitos. Esta é uma «doença séria», recordou, sublinhando que, apesar de afectar maioritariamente os mais idosos ou com doenças prévias, «jovens e crianças já faleceram».
Tedros explicou que «todos os dias estão a ser produzidos mais testes para responder à necessidade global» e que a OMS já enviou cerca de 1,5 milhões de testes para 120 países», mas que a forma mais eficaz de conter a propagação da Covid-19 é acabar com as cadeias de transmissão. «Pessoas infectadas com a Covid-19 podem infectar os outros, mesmo que deixem de sentir-se doentes. As medidas de prevenção e contenção têm de continuar até duas semanas após os efeitos desaparecerem», continuou.
Na ocasião, o director-geral da OMS aproveitou para agradecer a todos os que têm contribuído para o fundo de solidariedade para o combate à Covid-19, lançado na sexta-feira, dia 13 de Março, anunciando que já angariou quase 17 milhões de euros.
O novo coronavírus responsável pela pandemia Covid-19 foi detectado em Dezembro, em Wuhan, na China, e já foram infectadas cerca de 168.250 pessoas em todo o mundo. Do total de infectados, mais de 75 mil recuperaram. Foram registadas, para já, infecções em 142 países e territórios, incluindo Portugal.
Na semana passada, a OMS anunciou que o epicentro da pandemia provocada pela Covid-19 passou a ser a Europa, onde se situa o segundo caso mais grave, Itália, que anunciou no domingo 368 novos casos mortais, para um total de 1809 vítimas.
O número de infectados em Portugal saltou para 331, ou seja, mais 86 nas últimas 24 horas, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS). Nesta segunda-feira, a DGS anunciou a primeira morte de infecção por Covid-19: um homem com mais de 80 anos, que estava internado no hospital Santa Maria, em Lisboa.
Três doentes recuperaram, pelo menos 374 pessoas aguardam resultados laboratoriais e há 4.592 em contactos de vigilância com as autoridades de saúde.
Por regiões, há mais 35 casos confirmados no Norte, 21 no Centro (mais do que duplicaram), 26 em Lisboa e três no Algarve. Há ainda mais um cidadão estrangeiro infectado, sendo agora cinco. Além das duas meninas com menos de 10 anos, há mais dois casos positivos entre os jovens com 10-19 anos; 10 dez na faixa etária 20-29; 10 na 30-39; 15 na 40-49; mais nove na 50-59; 19 na 60-69; 11 na 70-79; e mais sete acima dos 80 anos.
As cadeias de transmissão activas subiram de 14 para 18, mantendo-se os casos importados: Espanha (16), Itália (14), França (9), Suíça (5), Bélgica (1), Alemanha e Áustria (1) e Andorra (1).













