O director geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, revelou esta sexta-feira que espera que a pandemia da Covid-19 dure cerca de dois anos, recordando que aconteceu uma situação semelhante com a gripe espanhola de 1918.
Na habitual conferencia de imprensa sobre a evolução da pandemia no mundo, o responsável afirmou que «na nossa situação actual com mais tecnologia, com mais conectividade, o vírus tem mais hipóteses de se alastrar», referiu sublinhando que «ao mesmo tempo temos mais tecnologia e mais conhecimento para o parar».
Tedros disse ainda que «apesar de termos aprendido muito sobre a doença, só temos oito meses de experiência e ainda sabemos pouco sobre o seu futuro a longo prazo». Para o responsável «não é apenas o número de casos ou de óbitos que importa», mas também os cuidados de saúde que em muitos países não estão a ser devidamente assegurados.
O director da OMS sublinhou que apesar de alguns países registarem uma redução no número de infecções e mortes por Covid-19, não quer dizer que podem descansar. «O progresso não significa vitória», sublinha acrescentando que por esse motivo «os países têm de evitar os focos de contágio e a transmissão comunitária».
No que diz respeito a existência de uma vacina, Tedros «considera que esta será «uma ferramenta essencial», contudo «não temos garantias de que tal vai acontecer e mesmo que tenhamos, a vacina não vai acabar com a pandemia por si só», defende sublinhando que «temos de aprender a conviver com o vírus e gerir a situação da melhor maneira».
Para Tedros os lockdowns impostos nos vários países conseguiram travar em alguns casos a propagação do vírus, mas «não são uma solução a longo prazo para qualquer país». «Não temos de escolher entre a vida e a subsistência ou entre a saúde e a economia, essa é uma escolha errada», defende, adiantando que «a saúde e a economia devem andar de mãos dadas».





