OMS diz que erradicação do novo coronavírus «é pouco provável»

A Organização Mundial da Saúde, à luz da situação atual, diz que será muito pouco provável que o novo coronavírus seja eliminado.

Sónia Bexiga

A Organização Mundial da Saúde (OMS), à luz da situação atual, diz que será muito pouco provável que o novo coronavírus seja eliminado.

De acordo com os especialistas da OMS, aos serem extintos focos de infeção, o mundo pode “potencialmente evitar o pior de uma segunda vaga e o regresso ao confinamento”.

Na conferência, desta sexta-feira, o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, pediu aos países que “cuidem e isolem” pequenos surtos rapidamente, para evitar outra disseminação da covid-19.

Já Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS veio sublinhar que “existem muitos exemplos em todo o mundo em que vemos que mesmo quando a epidemia é muito intensa, pode ser controlada, como aconteceu em Itália e Espanha”.

O responsável garantiu ainda que a investigação “continua e remonta a sua origem, por isso os nossos especialistas estão a investigar na China a transmissão de animais para humanos”.

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Adhanom deixou ainda um pedido no sentido de apelar às “lideranças, participação da comunidade e solidariedade coletiva”, sobretudo nos países onde há crescimento exponencial dos novos casos, mesmo onde as restrições estão a ser aliviadas e agora começam a ver os casos aumentar”.

Sobre esta tendência ascendente, Michael J. Ryan, reforçou que esperavam, com o fim dos confinamentos, “que o vírus voltasse, pois aproveita todas as oportunidades para se propagar”.

Mas agora, frisou, “temos de estar preparados e aceitar o facto de que, nesta situação, é muito complicado erradicar o vírus. Existe também um risco de importação. um pequeno incêndio é difícil de ver, mas fácil de eliminar. Um grande incêndio é fácil de ver, mas difícil de apagar. Portanto, é necessário ter uma boa vigilância com pequenos incêndios e agir com isolamento de casos. Também depende de indivíduos e comunidades”, reforçou.

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“É muito importante que as pessoas tenham informações regulares, transparência e confiança. Se queremos evitar a epidemia, precisamos monitorizar e isolar rapidamente pequenos surtos. Os países devem ser capazes para controlar os surtos com essas ferramentas, ninguém quer voltar para os confinamentos nacionais”, concluiu.

Mas a grande preocupação da OMS está em países como México e Brasil que começam a abrir as suas economias, mesmo com elevados números diários de casos. Segundo Ryan, essa situação deve levar a um aumento ainda maior dos números da pandemia.

O risco, segundo o responsável, é de que esses países voltem ao ponto que estavam em fevereiro e março, desperdiçando tudo o que foi ganho com as quarentenas.

Admitindo que os governos e famílias mais frágeis estão sob uma maior pressão, diante do colapso económico e a perda de rendimentos, afirmou ainda que “temos de encontrar um forma de equilibrar. Abrir a economia quando se tem uma intensificação de casos levará os países a uma situação difícil e faz regressar tudo ao início. E isso não acontecerá sem consequência graves”.

Cloroquina e a insistência de Bolsonaro

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Questionado a anunciada toma de cloroquina pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o responsável da OMS voltou a alertar que para a recomendação do uso de cloroquina só sob intensa supervisão médica e voltou a dizer que não existem sinais de que o remédio reduza a mortalidade.

Desde que anunciou que está infetado com Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro tem vindo a partilhar imagens nas quais se pode ver a toma deste remédio, frisando que “confia” neste produto. Insistindo mesmo que este medicamento tem um efeito praticamente imediato, sem qualquer evidência científica para chegar a essa conclusão.

Ryan reiterou que, do ponto de vista da OMS, as evidências sobre este medicamento não indicam benefícios para pacientes hospitalizados.

‘Florence’ vai ajudar fumadores

No dia de hoje, a OMS deu ainda nota de iniciativa que visa encorajar os 1,3 mil milhões de fumadores em todo o mundo a abandonar o tabaco durante a pandemia, reforçando que estes estão sujeitos às manifestações mais graves da doença.

Os fumadores podem agora ter acesso, via internet, a uma “profissional de saúde virtual” chamada Florence, disponível 24 horas por dia, que tratará de encaminhar os interessados para tratamentos de substituição de nicotina e outras terapias para deixar de fumar.

A experiência piloto será lançada na Jordânia, onde mais de 80% dos homens com mais de 18 anos consomem alguma forma de tabaco.

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