Hoje assinala-se o quinto aniversário desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Covid-19 como pandemia global. Cinco anos depois, os números são avassaladores: a nível mundial, registaram-se 777.309.626 casos confirmados e 7.083.233 mortes. Em Portugal, a pandemia resultou em 5.489.000 infeções e 25.500 óbitos.
Para assinalar esta data, a Executive Digest entrevistou Gustavo Tato Borges, especialista e coordenador de Saúde Pública e ex-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), que fez uma retrospetiva do impacto da pandemia e da situação atual.
“Um desafio extraordinário para a população mundial”
Executive Digest: Passaram-se cinco anos desde que a palavra “pandemia” entrou no nosso vocabulário. O que significaram estes três anos, três meses e cinco dias que vivemos em pandemia?
Gustavo Tato Borges: Significaram um desafio extraordinário para a população mundial. Portugal também passou por grandes dificuldades, exigindo um enorme esforço de todos, desde os cidadãos ao Sistema Nacional de Saúde e aos profissionais de saúde, que tiveram de se adaptar e trabalhar em conjunto para combater uma ameaça comum. Foi um período desafiante e preocupante, mas podemos estar satisfeitos com o que foi alcançado, especialmente no trabalho articulado e na consciência da importância da saúde pública.
ED: A pandemia alterou a abordagem da comunidade científica, dos decisores políticos e da população em geral em relação à saúde?
GTB: Sim. A abertura da comunicação social aos profissionais de saúde permitiu uma transmissão mais eficaz de mensagens científicas. Antes, muitas dessas mensagens perdiam-se no “diz-que-diz”. Esta nova presença mediática foi uma mais-valia, embora tenha tido o reverso da medalha com o aparecimento de desinformação e teorias da conspiração.
ED: A Covid-19 já faz parte das doenças comuns ou continua a ser uma ameaça? Podemos dizer que é um capítulo encerrado?
GTB: Não podemos dizer que está encerrado, mas sim estável. A Covid-19 tornou-se uma doença sazonal, mais comum no inverno, mas também com picos no verão. Felizmente, até ao momento, não surgiram variantes que inspirem maior preocupação. Com vacinação e comportamentos adequados, a doença tornou-se banal, embora surtos pontuais continuem a ocorrer.
ED: Os hábitos de prevenção vieram para ficar? O uso de máscaras, desinfeção e ventilação dos espaços são práticas definitivas?
GTB: Muitas pessoas adotaram estes hábitos, mas ainda são necessários avisos regulares. O uso de máscara quando doente, a lavagem de mãos e o distanciamento são atos de civismo. Devemos continuar a reforçar estas práticas para proteger os mais vulneráveis.
ED: A Covid-19 veio, de certa forma, também ajudar-nos a evitar futuras pandemias?
GTB: O controlo da relação entre humanos e animais é essencial para prevenir novas zoonoses. O uso adequado de antibióticos e a vacinação também são fundamentais. Precisamos de manter a vigilância, evitar paranoias, mas garantir um ambiente saudável e seguro. Cinco anos depois, a pandemia deixou marcas e lições. O desafio agora é manter a consciência sanitária e preparar o futuro para evitar novas crises globais de saúde.









