OMS critica estratégias de marketing “abusivas” das marcas de leite infantil para atrair mais mães

A OMS denunciou as estratégias de marketing “abusivas” usadas pela indústria de fórmulas de leite infantis e a forma como os pais, e principalmente as mães, são perseguidos “insidiosa e persistentemente” para comprar neste setor.

Simone Silva

A Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou as estratégias de marketing “abusivas” usadas pela indústria de fórmulas de leite infantis e a forma como os pais, e principalmente as mães, são perseguidos “insidiosa e persistentemente” para comprar neste setor, avança o ‘La Vanguardia’.

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Estas conclusões constam do relatório ‘Impacto das Estratégias de Marketing Digital para a Promoção de Substitutos do Leite Materno’, que constatou que essas empresas “pagam a redes sociais e ‘influencers’ para poder chegar a mulheres grávidas e mães em alguns dos momentos mais vulneráveis de suas vidas”.

Segundo a OMS, as empresas de fórmulas infantis têm acesso a ferramentas como apps, grupos de apoio, “baby club” virtuais, ‘e outros como promoções, concursos e fóruns que lhes permitem recolher informação pessoal e enviar promoções personalizadas a mulheres que engravidaram recentemente.

O relatório – que reúne os resultados de uma investigação em que foram analisadas quatro milhões de publicações de alimentação voltadas para bebés, partilhadas nas redes sociais entre janeiro e junho – também mostra que as empresas lançam conteúdo nas suas redes sociais, cerca de 90 vezes por dia, chegando a 229 milhões de utilizadores.

“Esse público é três vezes maior do que o alcançado pelas publicações informativas sobre aleitamento materno feitas em contas não comerciais”, lamentam os autores do relatório.

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A agência alerta que esse grau de comercialização afeta muito a compra de substitutos do leite materno, podendo alterar as decisões das mães. Isto, apesar da evidência clara de que a amamentação exclusiva e consistente é um fator chave para melhorar a saúde ao longo da vida de crianças, mulheres e comunidades.

Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, admite em comunicado que a promoção de fórmulas infantis comerciais deveria ter terminado há décadas, pois as empresas do setor “estão a usar agora fórmulas ainda mais potentes e técnicas de marketing abusivas para aumentar as suas vendas”.

 

Os estudos consultados para escrever este relatório mostram ainda que o marketing enganoso reforça informações falsas sobre amamentação e leite materno e prejudica a confiança das mulheres em amamentar os seus filhos.

“A percentagem de crianças amamentadas de acordo com as recomendações é excessivamente baixa”, alerta a OMS. “Se as atuais estratégias de marketing para fórmulas infantis não forem interrompidas, essa percentagem poderá diminuir ainda mais”, acrescenta.

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O aleitamento materno é bom tanto para a mãe como para o bebe. Para a primeira, ajuda na recuperação pós-parto, para que o útero volte mais rapidamente ao tamanho que tinha antes da gravidez e para mobilizar a gordura acumulada durante os nove meses de gestação, além de fortalecer o vínculo com o bebé.

Os benefícios que apresenta para as crianças estão relacionados com os componentes nutricionais, biológicos e hormonais que o leite apresenta, que têm um impacto positivo no sistema imunitário do bebé, protegendo-o de alergias. Além disso, o leite materno favorece o desenvolvimento cognitivo, e o mecanismo de sucção contribui para o desenvolvimento oral-facial do bebé.

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