O director geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou esta segunda-feira para o facto de que «vão morrer crianças» em todo o mundo quando a pandemia do novo coronavírus obrigar alguns países a interromper temporariamente o processo de vacinação para outras doenças mortais, como é o caso da poliomielite.
Pelo menos 21 países dão conta actualmente de falta de vacinas em resultado das restrições de viagens destinadas a conter a propagação da pandemia de Covid-19, segundo o responsável: «A realidade trágica é que as crianças vão acabar por morrer», refere na habitual conferência de imprensa da OMS desta segunda-feira.
Da mesma forma que a imunização foi adiada em alguns países, os serviços de saúde que combatem outras doenças, tais como a malária, tiveram de ser interrompidos, disse Tedros, observando que o número de casos de malária na África Subsaariana pode vir a duplicar.
Tedros pediu ainda ajuda aos países membros para garantir que os programas de vacinação são totalmente financiados, dizendo que a ‘Aliança Global para Vacinas e Imunização’ vai necessitar de 7,4 mil milhões de dólares para imunizar 300 milhões de crianças com cerca de 18 vacinas até 2025. «Quando a vacinação diminuir, mais surtos vão acontecer», disse o responsável da OMS.
O surto do novo coronavírus, que começou em Wuhan, na China, no final de Dezembro, está «longe de terminar», segundo Tedros, que adianta ainda que a OMS está preocupada com o aparecimento de novos casos na África, Europa Oriental, América Latina e alguns países asiáticos.
«Continuamos a apoiar esses países com assistência técnica, através de nossos escritórios regionais e nacionais e com fornecimento de bens através de voos de solidariedade», afirmou o director geral da OMS.
Tedros disse também que os países deviam ter seguido as orientações da OMS para atenuar os efeitos da pandemia provocada pelo novo coronavírus. O responsável diz ter percebido que até agora «alguns países aceitam as recomendações e outros podem não aceitar».
Recorde-se que na semana passada a OMS alertou os líderes mundiais para a necessidade de terem de conviver com o novo coronavírus num futuro próximo, à medida que os casos estabilizam ou diminuem em alguns países, enquanto atingem o pico em outros e ressurgem em áreas onde a pandemia do Covid-19 parecia estar controlada.
«Não se enganem, temos um longo caminho a percorrer. Este vírus estará connosco durante muito tempo», disse Tedros na passada quarta-feira.
Embora as medidas de distanciamento social, adoptadas em vários países para contrariar a propagação do surto viral, tenham sido bem-sucedidas, o vírus continua a ser «extremamente perigoso», disse Tedros na mesma altura. Os dados mostram que «a maioria da população mundial permanece vulnerável (ao vírus)», segundo o responsável, o que significa que os surtos podem facilmente «reaparecer».
O agradecimento a Portugal
O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu, nesta segunda-feira, o contributo de Portugal no combate à pandemia do novo conavírus.
«No final desta semana, a OMS lançará o seu segundo plano estratégico de preparação e resposta à covid-19, com uma estimativa dos recursos necessários para o próximo estágio da resposta global. Gostaria de agradecer à China, a Portugal e ao Vietname pelas suas contribuições recentes», afirmou Tedros.














