O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse esta quinta-feira que a pandemia da Covid-19 «continua a acelerar», acrescentando também que «o vírus não está controlado», pelo contrário «está a ficar pior», de acordo com o ‘The Guardian’.
O responsável considera que os governos a nível mundial ainda não sabem como gerir a crise de saúde pública da melhor forma, o que contribui para que a epidemia «continue a acelerar», expondo simultâneamente as desigualdades sociais e também nos sistemas de saúde.
«O vírus explorou todas as desigualdades presentes nos nossos sistemas de saúde, bem como nas nossas sociedades, ampliando e aprofundando as diferenças entre nós», disse o director geral da OMS, acrescentando que a pandemia prejudicou sobretudo as nações mais pobres.
Tedros refere ainda: «É muitas vezes dito que a doença não conhece fronteiras. Não se importa com as diferenças políticas, não olha às distinções que fazemos entre saúde e economia, vida e subsistência. A pandemia de Covid-19 rasgou-as todas».
O responsável vai ainda mais longe ao afirmar que «na maior parte do mundo, o vírus não está controlado. Está a ficar pior», com «o número de casos a duplicar nas últimas seis semanas», depois de terem sido «relatados à OMS mais de 11,8 milhões de casos e mais de 554 mil vítimas mortais».
OMS anuncia criação de um comité para avaliar resposta à pandemia
Para além disto foi também anunciada a criação de um painel independente para avaliar a actuação e resposta da OMS face à pandemia da Covid-19.
Tedros afirmou que a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark e a ex-Presidente da Libéria Ellen Sirleaf vão presidir ao comité, que deverá apresentar um relatório preliminar em Novembro e o definitivo em maio de 2021, durante a Assembleia Mundial da Saúde.
O Painel Independente para a Resposta e Preparação de Pandemias irá concretizar a resolução aprovada pelos estados-membros da organização durante a sua última assembleia geral, em que se defendia «uma avaliação independente e completa das lições aprendidas com a resposta sanitária internacional à Covid-19», afirmou.
«Temos de olhar para o desempenho dos nossos sistemas nacionais de vigilância e resposta, como partilhámos informação com as nossas comunidades, se ganhámos a sua confiança, como liderámos, se a nossa arquitectura global de saúde é adequada», declarou Tedros Ghebreyesus.
«Durante anos, muitos de nós avisaram que uma pandemia catastrófica de uma doença respiratória era inevitável. Não era uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’. Mesmo assim, o mundo não estava preparado. Os nossos sistemas não estavam preparados. As nossas comunidades não estavam preparadas. As nossas cadeias de fornecimento entraram em colapso. Está na altura de fazer uma reflexão honesta», defendeu.
A dimensão desta pandemia, apontou, «merece claramente uma avaliação à altura», considerou o diretor da agência das Nações Unidas.
«Este não pode ser mais um comité de elite que produz um relatório para ser posto na prateleira», salientou Ghebreyesus.
Helen Clark e Ellen Sirleaf deverão escolher os outros membros do painel, a partir de sugestões feitas pelos Estados-membros, que terão reuniões mensais para acompanhar o trabalho.
Em Novembro próximo, durante a Assembleia Mundial da Saúde, o comité apresentará um relatório preliminar e em maio deverá «apresentar um relatório substancial sobre as conclusões».
A pandemia da Covid-19 já provocou mais de 549 mil mortos e infectou mais de 12 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 1.631 pessoas das 44.859 confirmadas como infectadas, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



