OMS alerta: «As máscaras por si só não conseguem parar a pandemia»

O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), anunciou esta segunda-feira que a organização irá emitir novas diretrizes sobre o uso de máscaras em público.

Simone Silva

O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou esta segunda-feira, durante a conferência de imprensa diária sobre a Covid-19, que a organização vai emitir novas directrizes sobre o uso de máscaras em público para apoiar os países que decidiram implementar o seu uso mais generalizado.

«Se as máscaras forem usadas, devem sê-lo de forma segura e apropriada. A OMS tem instruções sobre como as colocar, retirar e eliminar», afirma, sublinhando ainda que existem «estudos limitados nesta área».

O director geral da OMS adianta que «encorajamos os países que estão a considerar introduzir as máscaras para a população em geral a estudarem a sua eficácia. As máscaras por si só não conseguem parar a pandemia. Os países têm de continuar a testar todos os casos e a rastrear todos os contactos», defendeu Tedros.

«Com ou sem máscara, há coisas eficazes que todos podemos fazer para nos protegermos e protegermos os outros: manter a distância, lavar as mãos, tossir e espirrar para o cotovelo, e evitar tocar na cara», refere.

O responsável da OMS manifestou a sua preocupação em relação à utilização massiva de máscaras por parte da população em geral, receando que a sua utilização em massa possa agravar o problema da falta desses mesmos equipamentos para os profissionais de saúde, para quem esta protecção é fundamental.

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As máscaras médicas, máscaras respiratórias e outros equipamentos de protecção devem ter como prioridade os profissionais que estão na linha da frente do combate à Covid-19, apela o director-geral da OMS.

O responsável admite, no entanto, o uso generalizado de máscaras pela população para conter a pandemia da Covid-19 em países em que o distanciamento social e as lavagens frequentes das mãos não possam garantidos, países financeiramente mais desfavorecidos.

Na mesma conferência, Tedros Adhanom Ghebreyesus disse ainda que em «menos de 100 dias desde que a OMS foi notificada sobre o novo coronavírus, a investigação acelerou a uma velocidade incrível», acrescentando que «O genoma do vírus foi mapeado no início de Janeiro e partilhado globalmente, o que possibilitou que fossem desenvolvidos testes e que começasse a investigação para se encontrar uma vacina», afirma.

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Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS)assegurou hoje que está alinhada com a OMS sobre a utilização de máscaras pela generalidade da população e que está a analisar pareceres pedidos.

«O que estamos a fazer neste momento é uma análise dos pareceres, da evidência (prova) científica. Teremos que aguardar mais uns dias para podermos responder a isso», disse Graça Freitas após ter sido questionada sobre o uso generalizado de máscaras na conferência de imprensa diária para atualização de informação sobre a pandemia de covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

No domingo, em entrevista à RTP, a ministra da Saúde anunciou que a Direção-geral da Saúde pediu um parecer sobre o uso generalizado de máscaras para evitar a propagação da Covid-19, tendo sido aconselhada a equacionar a medida.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 70 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela DGS, registaram-se 311 mortes, mais 16 do que na véspera (+5,4%), e 11.730 casos de infecções confirmadas, o que representa um aumento de 452 em relação a domingo (+4%).

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