O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou, esta terça-feira, que a pandemia continua a acelerar, com o número de casos em todo o mundo a duplicar nas últimas seis semanas, quase seis meses depois de declarar uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”.
Em resposta a este cenário, aumenta a possibilidade de mais países europeus reintroduzirem restrições, com a Alemanha, a França e a Bélgica a liderar estas reações com o regresso ao confinamento, distanciamento social e outras medidas de quarentena.
Em todo o mundo, existem 16,4 milhões de casos, segundo od números da Universidade Johns Hopkins. Na próxima quinta-feira assinalam-se seis meses desde o dia em que a OMS classificou a pandemia para o nível mais alto (30 de janeiro).
“Esta é a sexta vez que uma emergência de saúde global é declarada sob os regulamentos internacionais de saúde, mas é a mais grave”, apontou Tedros, sublinhando que os casos praticamente duplicaram nas últimas seis semanas e a pandemia “continua a acelerar”.
“Quando declarei uma emergência de saúde pública de interesse internacional a 30 de janeiro – o nível mais alto de alarme nos termos da lei internacional -, havia menos de 100 casos fora da China e nenhuma morte”, recordou.
Na Europa, os países que tentavam ultrapassar os prejuízos económicos causados por bloqueios anteriores lutam agora para equilibrar as necessidades financeiras para apoiar o turismo durante os meses de verão, com medidas para se proteger contra novos surtos.
O setor de turismo da Espanha enfrentou um agravamento económico depois de os viajantes britânicos – e um dos principais operadores turísticos – terem cancelado os voos após a decisão de Londres de reintroduzir a quarentena para viajantes que retornam do país.
A Bélgica reforçou as suas medidas de distanciamento social para tentar deter o que um especialista chamou de aumento “preocupante” nos casos. A partir de quarta-feira, os belgas poderão ver no máximo cinco pessoas fora do seu círculo familiar, reduzindo de 15 a “bolha social” permitida. As medidas vieram depois de o país registar 1.952 novos casos na semana passada, um aumento de mais de 70% na população, face à semana anterior.
A França ordenou o recolhimento noturno para as praias no resort de Quiberon, na costa atlântica, depois de um surto da Covid-19 ter emergido em rápida expansão na semana passada.
A Alemanha fará testes de coronavírus obrigatórios para viajantes que regressam de áreas de risco, enquanto na região da Ásia-Pacífico, Austrália, Hong Kong e China continental continuam a combater o ressurgimento do vírus.
Hong Kong registou um aumento de três dígitos pelo sexto dia consecutivo, com 145 novos casos, e a China continental confirmou seu maior número diário desde abril, com 68 novas infeções, das quais duas em Pequim e 57 em Xinjiang. Os casos relatados na terça-feira marcam o quarto dia consecutivo de aumentos.






