A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que a variante Ómicron não será a última: “Quanto mais o vírus circular, maior é o risco de uma estirpe nova e mais mortal”, alertou Bruce Aylward, conselheiro sénior da OMS.
“A Ómicron provavelmente não será a última variante da Covid-19. Ainda não sabemos mas quanto mais o vírus circula, mais provável é que surja uma nova variante mais mortal do que a Ómicron”, adiantou o responsável, esta quarta-feira, em conferência de imprensa. “Temos de fazer tudo o que for possível para desacelerar”, afirmou Aylward, que mostrou-se impressionado com a grande inundação da Ómícron: “A curva da epidemia é incrível. Em 30 anos a trabalhar com doenças infeciosas, nunca vi nada parecido. Deve-se fazer todo o possível para parar as infeções.”
“Há um grupo que diz: vamos deitar a toalha ao chão e vamos deixar que isso imunize o mundo”. “Mas temos outro grupo que diz que se use máscara, que se tome a vacina. Se fizermos a escolha errada, e a primeira opção é a errada, as pessoas vão pagar um preço”, explicou.
Também o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lembrou que na semana passada foram notificados mais de 15 milhões de novos casos de Covid-19 em todo o mundo, “o maior número de casos notificados numa única semana”. “E sabemos que é um eufemismo”, ressaltou.
No entanto, detalhou que o número de mortes semanais relatadas “permaneceu estável desde outubro do ano passado, com uma média de 48 mil mortes semanais”. “Embora o número de pacientes hospitalizados esteja a aumentar na maioria dos países, não está ao nível das ondas anteriores”, celebrou. “Embora a Ómicron cause uma doença menos grave do que a Delta, ainda é um vírus perigoso, principalmente para quem não está vacinado. Quase 50 mil mortes por semana são 50 mil mortes a mais. Aprender a conviver com esse vírus não significa que podemos ou devemos aceitar esse número de mortos”, precisou.
A mesma opinião foi expressa pelo diretor-executivo do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan, que acredita não ser hora de desistir. “Não é hora de declarar que este é um vírus bem-vindo. Nenhum vírus que mata pessoas é bem-vindo”, defendeu.



