João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge, responsável pela apresentação sobre a diversidade genética do vírus, na reunião que acontece hoje no Infarmed, refere que 90% dos casos da Covid-19 em Portugal são já causados pela variante Ómicron, num total de mais de 40 mil casos positivos registados desde 1 de dezembro.
Segundo o responsável, na semana antes do Natal, a região de Lisboa e Vale do Tejo já tinha a Ómicron como mais prevalente e o Algarve tinha-a em níveis perfeitamente residuais, o que demonstra uma grande “heterogeneidade entre as regiões”. Contudo, os valores subiram entretanto no Algarve, provavelmente devido ao turismo, o que demonstra a alta transmissibilidade do vírus.
“Projetámos que até à semana do Natal cerca de 50% dos casos já fossem Ómicron, o que se veio a verificar”, explica sublinhando que entretanto, a 3 de janeiro, a variante representava já 90% das infeções em Portugal.
O especialista deixa ainda uma nota para a incidência da Ómicron por escalões etários. “Dá a sensação que a grande disseminação teve a ver com o grupo etário dos 20 aos 29 anos”, resume o investigador.
Em causa para esta maior transmissibilidade, explica o responsável, está o elevado número de mutações da ómicron (muito superior às das restantes), a maior taxa de replicação nas vias aéreas superiores e a maior capacidade para “fugir” ao nosso sistema humanitário, refere. Por outro lado, tem menor capacidade para se multiplicar nos pulmões, o que justifica a sua menor gravidade.
Numa outra intervenção, na mesma reunião, Ana Paula Rodrigues, também do INSA, revela, com base em estudo realizados, que na África do Sul, o risco de internamento de infetados com a variante Ómicron é de cerca de um quinto da da variante delta.
Já na Escócia, esse risco é de um terço do que era anteriormente e, nos Estados Unidos, a probabilidade de internamento de quem tenha contraído a nova variante também caiu para “menos de metade”.
Segundo a especialista, esta diminuição do risco de internamento resulta da “conjugação de dois fatores”: a “potencial menor gravidade da infeção” e a imunidade (seja por vacinação ou por infeção).













