No coração do Upper East Side de Manhattan, a poucos metros de Central Park, ficava a mansão de sete andares e quase 2.000 metros quadrados onde Jeffrey Epstein — o financista bilionário e predador sexual condenado — cultivou laços com políticos, magnatas e celebridades durante anos.
O ‘The New York Times’ divulgou esta quinta-feira fotografias e documentos inéditos sobre o interior daquele ‘santuário’ particular: um lugar de ostentação, excentricidade e um tom perturbador. A mansão não era apenas um símbolo de riqueza. Servia como salão privado onde Epstein oferecia jantares que reuniam figuras como o ex-primeiro-ministro israelita Ehud Barak, o magnata Mortimer Zuckerman e o cineasta Woody Allen.
New photos and documents reveal inside of Jeffrey Epstein's NY mansion and how he interacted with elites.
• Prominently displayed photos of him hanging out with Trump & Clinton
• Surveillance cameras in the bedroom
• And much more
— David Enrich (@davidenrich) August 5, 2025
Em cartas de felicitação pelo seu 63º aniversário, de 20216, os seus amigos recordaram essas noites: Barak e a sua mulher destacaram a sua “inesgotável curiosidade”, já Zuckerman brincou com a sua “performance sexual” e Allen comparou-o ao Castelo do Drácula.
Excentricidade e esquisitices
O ambiente era tudo menos de conto de fadas. Epstein transformou a casa, comprada em 1998 ao magnata Leslie Wexner, num museu de curiosidades. Tinha olhos protéticos emoldurados à entrada, uma escultura de uma noiva pendurada numa corda no átrio e uma sala de jantar com cadeiras com padrão de leopardo a servir de tudo, desde comida chinesa para levar a jantares liderados por mágicos e debates científicos improvisados.
Entre os objetos mais impressionantes estavam um exemplar da primeira edição de Lolita, de Nabokov, fotografias com líderes mundiais – João Paulo II, Bill Clinton, Donald Trump, Elon Musk, Fidel Castro – e uma nota de um dólar assinada por Bill Gates com a inscrição “Eu estava enganado”.
No seu escritório, dominado por um tigre de peluche, exibiu ainda fotografias suas com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. Um aparador cheio de molduras exibia a sua agenda, cuidadosamente exposta para impressionar os visitantes.
O chão proibido
Mas o piso mais controverso era o terceiro, que albergava o seu quarto, a famosa sala de massagens e várias casas de banho. As imagens mostram câmaras de vigilância estrategicamente instaladas e paredes decoradas com pinturas de mulheres nuas.
De acordo com os depoimentos em tribunal, Epstein recebeu massagens de adolescentes — algumas das quais foram recrutadas em escolas secundárias de Queens — e cometeu abusos sexuais. Várias vítimas relataram que o financeiro por vezes se masturbava à frente delas ou agredia-as diretamente. A presença de câmaras alimentou a hipótese de que Epstein gravou as suas reuniões para obter material comprometedor de convidados e vítimas.
As cartas compiladas para o seu 63º aniversário — de intelectuais como Noam Chomsky e o físico Lawrence Krauss — retratam um “colecionador de pessoas”, como Barak e a sua mulher o definiram.
Algumas cartas, como as do empresário Joichi Ito ou do biólogo de Harvard Martin Nowak, recordavam as animadas conversas científicas que se desenrolavam à volta da sua secretária.
Estes jantares não eram apenas uma montra social, mas também uma ferramenta para reforçar a imagem que Epstein queria projetar: a de um cliente esclarecido, com acesso aos mais seletos membros da elite global.














