Uma nova sondagem revela um cenário preocupante para as grandes tecnológicas internacionais: a esmagadora maioria dos europeus não confia nas empresas dos Estados Unidos e da China para gerir os seus dados pessoais.
De acordo com o POLITICO, mais de 8 em cada 10 europeus afirmam não confiar nas empresas tecnológicas norte-americanas no que diz respeito ao tratamento responsável de dados pessoais. O nível de desconfiança é ainda mais elevado em relação às empresas chinesas.
Cerca de 84% dos inquiridos dizem não confiar nas empresas dos Estados Unidos, enquanto 93% demonstram desconfiança face às tecnológicas chinesas. Estes números refletem uma crescente preocupação com a privacidade e a segurança da informação na Europa.
Europa aposta em tecnologia própria
Este estudo surge numa altura em que a Europa está a reforçar a sua estratégia de autonomia tecnológica, investindo em áreas como inteligência artificial, serviços cloud e telecomunicações. O objetivo passa por reduzir a dependência de gigantes tecnológicos estrangeiros, sobretudo dos EUA e da China.
Apesar da maior confiança nas empresas europeias, os dados mostram que essa confiança ainda está longe de ser total. Apenas 51% dos inquiridos afirmam confiar nas empresas tecnológicas europeias para lidar com os seus dados pessoais. Já os governos nacionais recolhem ainda menos confiança, com 45% dos europeus a considerarem que estes tratam a informação de forma responsável.
Diferenças entre países europeus
A análise por país revela diferenças significativas. A Alemanha destaca-se como o país mais desconfiado: 91% dos alemães não confiam nas empresas norte-americanas e 98% rejeitam as chinesas.
Por outro lado, a Polónia apresenta níveis de confiança relativamente mais elevados, com 38% dos inquiridos a confiar em empresas dos EUA e 20% nas chinesas.
Na Bélgica, as empresas europeias são vistas de forma mais positiva, com 59% dos cidadãos a afirmar confiar no seu tratamento de dados.
Regulamentação europeia e preocupações legais
Segundo o Politico, todas as empresas que processam dados de cidadãos europeus são obrigadas a cumprir as regras de privacidade da União Europeia, incluindo o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.
No entanto, as empresas sediadas fora da Europa enfrentam desafios adicionais. Nos Estados Unidos e na China, a legislação nacional pode obrigar as empresas a fornecer dados às autoridades, o que levanta preocupações entre tribunais e reguladores europeus.
Metodologia do estudo
O inquérito foi realizado pela Cluster17 para o Politico e a beBartlet, entre 13 e 21 de março, envolvendo 6.698 participantes de seis países: Espanha, Alemanha, França, Itália, Polónia e Bélgica.
Os resultados reforçam uma tendência clara: a confiança dos europeus na gestão de dados pessoais continua a ser um desafio crítico, especialmente no contexto global da tecnologia.











