A deputada do Bloco de Esquerda, Sandra Cunha, renunciou hoje ao seu mandato, depois de ter sido constituída como arguida no caso da alegada comunicação de moradas falsas por parte de vários deputados. Oito deputados continuam sob investigação.
Nas redes sociais da deputada bloquista pode ler-se que a discrepância nas moradas que indicou ao Parlamento entre 2017 e 2018 foram “oportunamente esclarecidas”. Sandra Cunha avançou, no entanto, com a renúncia ao seu mandato “por motivos pessoais”, por preferir defender o seu “bom nome com total liberdade”, e também “por motivos políticos”, por não querer que a sua defesa possa ser usada “como arma de arremesso contra o Bloco de Esquerda”, acrescenta na sua publicação.

Em causa, segundo avança o Jornal de Notícias, está o facto de Sandra Cunha, eleita pelo círculo de Setúbal, ter declarado que residia entre Sesimbra e Almada, usando, respetivamente, a sua morada e a dos pais. Como o valor de deslocação que o Parlamento lhe pagava pela morada de Sesimbra era o triplo do que se pagava pela de Almada, a deputada incorre num crime de peculato, punido com uma pena de prisão entre três e oito anos e multa até 150 dias.
O levantamento da imunidade parlamentar para que os deputados possam responder perante a Justiça já foi aprovado pela Comissão de Transparência, a pedido do Ministério Público.
A par de Sandra Cunha, estão a ser investigados pelo Ministério Público quatro deputados do PSD (Carla Barros, Paulo Neves, Pedro Roque e Duarte Pacheco), três do PS (Elza Pais, Fernando Anastácio e Nuno Sá) e um do CDS-PP (João Almeida).














