Israel poderá direcionar os seus ataques contra refinarias de petróleo no Irão, como forma de vingança pelo ataque de terça-feira à noite, no qual Teerão lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra Telavive e outras regiões do país, numa escalada dramática no conflito entre os dois países.
Segundo informações do site norte-americano Axios, autoridades israelitas estão a considerar uma “retaliação significativa” que poderá atingir instalações de produção de petróleo no Irão e outros alvos estratégicos. Esta ação poderia ocorrer nos próximos dias, e os responsáveis israelitas estão em consulta com os Estados Unidos para calibrar a sua resposta militar, o que poderá aproximar o Médio Oriente do limiar de uma guerra regional.
Há ainda a possibilidade de Israel vir a atacar instalações do programa nuclear iraniano, mas analistas apontam que os EUA poderão vetar esta opção, devido ao risco de um agravamento significativo do conflito.
O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, declarou na noite de terça-feira: “Haverá consequências graves para este ataque, e iremos trabalhar com Israel para garantir que seja esse o caso.” Sullivan acrescentou que os EUA teriam “consultas em curso com os israelitas esta tarde e esta noite”.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião do gabinete de segurança na mesma noite, para discutir a resposta militar ao ataque iraniano. De acordo com o Axios, os responsáveis israelitas concordaram, em princípio, em lançar uma retaliação, mas necessitaram de discutir com as autoridades norte-americanas a cooperação em termos de defesa, o apoio operacional do Comando Central dos EUA e o fornecimento de munições.
“Irão cometeu um grande erro esta noite – e vai pagar por isso”, afirmou Netanyahu durante a reunião do seu gabinete de segurança. “O regime iraniano não compreende a nossa determinação em defender-nos e retaliar contra os nossos inimigos… Eles vão perceber.”
O apoio político norte-americano a um ataque contra a produção de petróleo iraniana também se fez sentir. O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, afirmou que encorajaria o governo de Joe Biden a coordenar uma resposta esmagadora com Israel, “começando com a capacidade do Irão de refinar petróleo”. Graham reforçou que as refinarias iranianas deveriam ser “atingidas de forma severa”.
Operações militares em curso no Líbano
Na quarta-feira, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram o envio de mais tropas para incursões terrestres no sul do Líbano, numa operação que é a maior no país desde a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão.
Num comunicado publicado no Telegram, as IDF informaram que enviariam a 36ª Divisão, incluindo tropas de três brigadas, para se juntarem às “incursões localizadas e direcionadas contra alvos terroristas do Hezbollah e infraestruturas terroristas no sul do Líbano, que começaram na segunda-feira”. As tropas seriam acompanhadas pela Força Aérea de Israel (IAF) e pela 282ª Brigada de Artilharia.
A imprensa israelita relatou que, até quarta-feira, cerca de 100 rockets tinham sido lançados do Líbano em direção a Israel, com relatos de confrontos diretos entre forças terrestres israelitas e o Hezbollah.
Até agora, Israel tinha apenas mobilizado a 98ª Divisão para atacar alvos no sul do Líbano, o que tornava a operação de menor escala do que as incursões na Faixa de Gaza. No entanto, o envio das novas tropas sinaliza uma possível intensificação da operação no Líbano.
Durante a noite, Israel continuou a lançar ataques aéreos sobre Beirute, com imagens a mostrar colunas de fumo a erguerem-se sobre a cidade ao amanhecer. Nos ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, pelo menos 60 palestinianos foram mortos, incluindo civis que se encontravam numa escola a servir de abrigo, segundo informações de médicos no território.
O ataque iraniano teve como alvo várias bases aéreas israelitas, mas resultou em poucos danos. Uma das vítimas foi um homem palestiniano, morto na terça-feira à noite quando os estilhaços de um míssil iraniano derrubado caíram sobre ele perto de Jericó, na Cisjordânia. Duas outras pessoas ficaram feridas.
A maioria dos mísseis iranianos parece ter sido intercetada pelos sistemas de defesa aérea de Israel e dos EUA, com Teerão a visar principalmente bases militares, o que evitou que os projéteis caíssem em áreas densamente povoadas.
Relatos de jornalistas presentes em Jerusalém descreveram dezenas de mísseis a cruzar o céu das principais cidades costeiras de Israel pouco depois das 19h30, com os motores dos rockets visíveis desde o solo. As sirenes de ataque aéreo soaram em todo o país, enquanto os mísseis, muitos deles neutralizados pelos sistemas de defesa israelitas, desenhavam trilhas de vermelho e dourado no céu noturno.
Na madrugada de quarta-feira, pelo menos cinco ataques aéreos israelitas atingiram os subúrbios de Beirute, após múltiplas ordens de evacuação de edifícios emitidas pelas forças militares israelitas, alegando que estavam a atingir alvos do Hezbollah.
Momentos antes do início do ataque iraniano, pelo menos dois homens armados lançaram um ataque em Jaffa, uma cidade costeira israelita, matando seis pessoas e ferindo 10, incluindo um soldado das IDF, levantando preocupações de que o aumento da violência possa alimentar mais ataques terroristas dentro de Israel.




