OE2025: Proposta “não responde às necessidades dos trabalhadores”, diz CGTP

O secretário-geral da CGTP considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2025 (OE2025) hoje entregue no parlamento “não responde às necessidades dos trabalhadores” e evidencia um “problema ideológico” do Governo com os serviços públicos.

Executive Digest com Lusa

O secretário-geral da CGTP considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2025 (OE2025) hoje entregue no parlamento “não responde às necessidades dos trabalhadores” e evidencia um “problema ideológico” do Governo com os serviços públicos.

“Aquilo que verificamos é que a resposta aos problemas concretos, nomeadamente nos serviços públicos e na valorização dos salários, das carreiras e das reformas, esta resposta não está lá”, afirmou Tiago Oliveira em declarações à agência Lusa.

Embora esteja ainda “a analisar as mais de 400 páginas” do documento, o líder da central sindical diz que este “reporta para o que têm sido as duas últimas semanas, em que se afunilou a discussão em dois pontos [o IRC e o IRS Jovem] que não são os pontos fundamentais, nem os que vão alterar o rumo que o país está a levar neste momento”.

“Na questão dos serviços públicos, constatamos que no Orçamento do Estado apresentado 55% da despesa corrente da saúde é encaminhada para o setor privado. Portanto, continuamos a trilhar este caminho da descapitalização do Serviço Nacional de Saúde e de negação daquilo que está a acontecer, que é um desmembramento total e um ataque enorme ao SNS”, sustentou.

“Aquilo que vemos – acrescentou – é que as políticas que estão a ser seguidas são a continuação desta degradação dos serviços e desvalorização dos médicos, dos enfermeiros e dos auxiliares”.

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Já no que se refere à escola pública, a CGTP nota que “o indicador da OCDE é que, a nível orçamental, 6% [do Produto Interno Bruto – PIB] devia ser encaminhado para a escola pública”, mas a proposta do Governo fica “muito aquém dessa meta”.

Adicionalmente, Tiago Oliveira refere “o ataque” que diz ter sido feito na quarta-feira à RTP (com a apresentação pelo Governo de um Plano de Ação para a Comunicação Social que prevê, entre outros pontos, o fim da publicidade na estação pública e saídas voluntárias de até 250 trabalhadores), afirmando tratar-se do “mesmo ataque a que se assiste há anos aos serviços públicos”.

Finalmente, o secretário-geral da CGTP questiona “como se pode aceitar” que a proposta de aumentos salariais apresentada pelo Governo aos sindicatos dos trabalhadores da administração pública seja “de 50 cêntimos acima do salário mínimo nacional” no próximo ano.

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Em contrapartida, sustenta, “são 1.800 milhões de euros em benefícios fiscais para as empresas que estão neste Orçamento do Estado e são 1.100 milhões de euros, mais 33% do que foi orçamentado o ano passado, para as parcerias público-privadas”.

Para o líder da CGTP, daqui resulta que o atual Governo “tem um problema sério, ideológico, com os serviços públicos e a necessidade de resposta às populações”, tendo estas respostas “aos problemas concretos de quem trabalha” ficado “esquecidas e remetidas para o lado durante as últimas duas semanas”.

Considerando que “quem aprovar este orçamento tem de assumir que o rumo que irá ser seguido é de degradação das condições de vida e de trabalho, dos serviços públicos e das condições do país”, a CGTP reitera que o documento “não responde às necessidades dos trabalhadores” e “fica muito aquém daquilo que é necessário”.

“Assistimos, na apresentação [do OE], a remeterem-se muitas das medidas que estão no Orçamento para o acordo tripartido que foi assinado na semana passada e toda a gente constata que naquele acordo são cada vez mais benefícios para as empresas e para os grandes grupos económicos”, denunciou Tiago Oliveira.

O Governo entregou hoje no parlamento a proposta de Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), que prevê que a economia cresça 1,8% em 2024 e 2,1% em 2025 e um excedente de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 0,3% no próximo.

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A proposta ainda não tem assegurada a sua viabilização na generalidade e a votação está marcada para o próximo dia 31, no parlamento.

Se a proposta de Orçamento do Governo PSD/CDS for viabilizada na generalidade com a abstenção do PS ou, em alternativa, com os votos favoráveis do Chega, será então apreciada na especialidade no parlamento entre 22 e 29 de novembro. A votação final global do Orçamento está prevista para 29 de novembro.

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