Ocupação ilegal: proprietária recupera casa após dois anos e encontra cenário de “filme de terror”

Depois de 21 meses sem pagar renda, os ocupantes saíram – mas deixaram para trás um cenário que a própria proprietária descreve como “um filme de terror”. A casa, localizada em Espanha, estava completamente destruída, com danos profundos e prejuízos elevados.

Patrícia Moura Pinto

Uma mulher conseguiu finalmente recuperar o seu apartamento após quase dois anos de ocupação ilegal, acumulando cerca de 30 mil euros em prejuízos. O estado em que encontrou o imóvel foi descrito como chocante, marcado por destruição generalizada e danos profundos.

De acordo com o jornal ABC, o caso aconteceu no município espanhol de Móstoles e ilustra bem um problema crescente que continua a preocupar proprietários no país vizinho: a dificuldade em lidar com ocupações ilegais e a morosidade dos processos judiciais.

A proprietária, Ángeles, tinha arrendado a casa para poder lidar com a recuperação do pai das suas filhas, que sofreu dois AVC. Apesar de ter comunicado a situação aos inquilinos, estes deixaram de pagar renda durante 21 meses, acumulando uma dívida próxima dos 30 mil euros.

Quando o despejo foi finalmente executado, o cenário encontrado foi devastador.

A proprietária mostrou o estado do imóvel num programa televisivo, descrevendo-o como “um filme de terror”. Entre os principais danos, destacou o corte completo da instalação elétrica, obrigando à substituição total do sistema, e a destruição das canalizações, com água deixada a correr pela casa.

Continue a ler após a publicidade

O pavimento original foi arrancado e levado, tendo sido substituído por grandes quantidades de entulho. “Trabalharam para fazer o mal”, afirmou, criticando o tempo que os ocupantes tiveram entre o aviso de despejo e a saída efetiva.

Além dos danos estruturais, o interior da casa apresentava sinais de vandalismo extremo: garrafas partidas, manchas de vinho, móveis deslocados e divisões completamente destruídas.

Entre os objetos encontrados estavam utensílios que causaram ainda mais inquietação, como um machado sobre uma mesa de vidro e uma foice, contribuindo para a sensação de perigo e abandono.

Continue a ler após a publicidade

Mais do que os prejuízos materiais, o impacto emocional foi evidente. O quarto da filha da proprietária, feito por medida, foi completamente destruído, simbolizando a perda de memórias pessoais importantes.

O caso evidencia não só os danos financeiros associados à ocupação ilegal, mas também o impacto psicológico e emocional nos proprietários, que muitas vezes enfrentam longos processos legais antes de conseguirem recuperar os seus imóveis.

Os dados mais recentes do Ministério do Interior espanhol apontam para 16.426 casos de arrombamentos e ocupações ilegais registados em 2024, um aumento face aos 15.289 registados no ano anterior. Ainda assim, estes números não distinguem entre residências principais e outros imóveis, nem indicam quantos processos resultaram efetivamente em despejos.

Para tentar acelerar a resposta a este fenómeno, entrou em vigor a 3 de abril de 2025 a Lei Orgânica 1/2025, que prevê julgamentos rápidos e maior capacidade de atuação imediata por parte da polícia em situações flagrantes. No entanto, na prática, muitos proprietários continuam a enfrentar longos períodos de espera.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.