Ocidente tem um papel essencial no fabrico dos drones assassinos que a Rússia usa para atacar cidades ucranianas, denuncia Kiev

Kiev sugeriu aos aliados ocidentais “ataques com mísseis contra as fábricas de produção dos UAVs no Irão, na Síria, bem como num potencial local de produção na Rússia”

Francisco Laranjeira
Setembro 27, 2023
11:28

Os drones kamikaze iranianos utilizados pela Rússia nos mais recentes ataques às cidades ucranianas estão equipados com diversos componentes europeus, de acordo com um relatório de Kiev enviado aos aliados ocidentais. De acordo com os responsáveis ucranianos, no documento apresentado aos Governos do G7 em agosto último, houve mais de 600 ataques a cidades com veículos aéreos não tripulados (UAVs) que continham tecnologia ocidental.

De acordo com o jornal britânico ‘The Guardian’, foram encontrados 52 componentes elétricos fabricados por empresas ocidentais no drone Shahed-131 e 57 no modelo Shahed-136, que tem uma autonomia de voo de 2 mil quilómetros e uma velocidade de até 180 km/h. Entre os fabricantes originais dos componentes estão cinco empresas europeias, incluindo uma subsidiária polaca de uma multinacional britânica.

“Entre os fabricantes estão empresas sediadas nos países que impuseram sanções: Estados Unidos, Suíça, Países Baixos, Alemanha, Canadá, Japão e Polónia”, acusou o relatório, que indicou que o Irão já diversificou a sua produção através de uma fábrica síria que faz entregas no porto russo de Novorossiysk, embora a produção de drones esteja a transferir-se para a Rússia, na região central tártara de Alabuga, embora Teerão continue a fornecer os componentes. Kiev garantiu ainda que o Governo iraniano está a tentar “dissociar-se do fornecimento de armas à Rússia” e “não consegue lidar com a procura russa e a intensidade do uso de drones na Ucrânia”.

Kiev sugeriu aos aliados ocidentais “ataques com mísseis contra as fábricas de produção dos UAVs no Irão, na Síria, bem como num potencial local de produção na Rússia”, garantindo que “pode ser realizado pelas forças de defesa ucranianas se os parceiros fornecerem os meios de destruição necessários”. No entanto, não há qualquer sugestão de irregularidades das empresas ocidentais. “A produção iraniana de UAV adaptou-se e utiliza principalmente componentes comerciais disponíveis, cujo fornecimento é mal ou nem sequer é controlado.”

A Ucrânia garantiu que “quase todas as importações para o Irão tiveram origem na Turquia, Índia, Cazaquistão, Usbequistão, Vietname e Costa Rica”. De acordo com o relatório, as forças russas começaram a apagar as marcações dos componentes eletrónicos dos drones e começaram a usar os nomes Geranium-1 e Geranium-2, “provavelmente parte de um acordo entre o Irão e a Rússia para ocultar o papel do Irão”.

E que componentes são estes? Num Shahed-136 foi descoberta uma bomba de combustível fabricada na Polónia pela empresa alemã ‘TI Automotive GmbH’, da multinacional britânica TI Fluid Systems, bem como um microcontrolador com memória flash incorporada fabricado pela empresa suíça ‘STMicroelectronics’. Foi também encontrado num Shahed-136 um circuito integrado de um driver de rede buffer fabricado pela ‘International Rectifier’, uma subsidiária da empresa alemã ‘Infineon Technologies AG’.

No modelo Shahed-131, os especialistas ucranianos identificaram um circuito integrado de gestão de energia personalizável de 14 canais e um microprocessador fabricado pela empresa holandesa ‘NXP Semiconductor’ e um transistor de potência e circuito integrado da ‘International Rectifier’.

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