OCDE melhora previsões para 2020, mas prevê uma recuperação lenta da economia

O impacto da pandemia de coronavirus sobre a economia provocará este ano uma queda da atividade de 4,5%, estimativa que revê em alta os cálculos anteriores da OCDE, que não esconde que a recuperação será lenta e incerta.

Num relatório divulgado hoje, com perspetivas intermédias, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) melhora em 1,5 pontos percentuais a sua estimativa avançada em julho, embora sinalize que o PIB mundial crescerá 5% em 2021, duas décimas menos do que o estimado há dois meses.

Este é o cenário sobre o qual trabalhará o organismo com sede em Paris.

Segundo a OCDE, se a confiança das empresas e dos consumidores aumentar mais rápido do que o previsto, os novos surtos de coronavírus exigirão apenas medidas de contenção leves e localizadas.

No caso de ser encontrado um tratamento ou vacina mais cedo do que o previsto, o PIB poderá crescer até 7% em 2021 e o comércio até 6%, acrescenta.

Por outro lado, se a incerteza for maior do que o estimado e os surtos se intensificarem, o crescimento do PIB poderá cair 2,5 ou 3 pontos e o comércio global descer até 7% no próximo ano.

Em 2021, a perda global de receitas aumentaria para sete mil milhões de dólares (cerca de 5,8 mil milhões de euros), um número que, se a situação melhorar, poderá ser reduzido para quatro mil milhões e que se piorar poderá chegar a 11 mil milhões.

“O mundo está a enfrentar a sua desaceleração mais dramática desde a Segunda Guerra Mundial. Não há como amenizá-lo”, disse o economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, na apresentação dos dados, enfatizando que menos consumo, produção e investimento levam inevitavelmente a menos trabalho.

A OCDE admite que os seus cálculos estão sempre sujeitos à evolução da covid-19 e às medidas de contenção adotadas pelos diferentes governos.

Para o conjunto do G20, a projeção do organismo é a de uma queda do PIB de 4,1%, melhorando a de 5,7% de junho no seu cenário mais otimista, e melhora em duas décimas a subida de 2021 até aos 5,7%.

Só a China, segundo os dados, regista em ambos os casos um crescimento do seu PIB de 1,8% este ano e de 8% no próximo ano, uma revisão em alta de 4,4 pontos e de 1,2 pontos percentuais, impulsionada pelo seu rápido controle do vírus e por ter sido o primeiro país afetado.

No restante G20, a crise sanitária representará quedas no PIB, sendo os países mais afetados África do Sul (11,5 %), Argentina (11,2 %), Itália (10,5%) e México (10,2 %).

Para o Reino Unido (-10,1%), França (-9,5%), Alemanha (-5,4%) e zona euro (-7,9%), a OCDE melhora as suas projeções em um ponto, ou 3,5 pontos no caso dos EUA (-3,8 %), com estes países a não conseguirem escapar da zona vermelha do comportamento do PIB.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 929.391 mortos e mais de 29,3 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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