O hidrogénio verde pode agora ser obtido através apenas de eletricidade e humidade do ar, revelaram esta 3ª feira cientistas do Departamento de Engenharia Química da Universidade de Melbourne, na Austrália.
Segundo um artigo publicado na revista científica ‘Nature Communications’, o hidrogénio verde é produzido eletrolisando a humidade do ar, em vez da tradicional água líquida, o que poderá permitir o fornecimento de combustível de hidrogénio para regiões secas e remotas, com impacto ambiental mínimo, especialmente utilizando energia renovável – os autores do artigo conseguiram eletrolisar em humidades tão baixas como 4%.
“Desenvolvemos um chamado ‘eletrolisador de ar direto’. Em suma, DAE”, apontou Gang Kevin Li, coautor do artigo. “Este módulo usa um eletrólito higroscópico exposto à atmosfera constantemente. Esse eletrólito tem um alto potencial para extrair humidade do ar espontaneamente (sem entrada de energia externa), tornando-o prontamente disponível para eletrólise e produção de hidrogénio, uma vez acoplado a uma fonte de alimentação (renovável)”, referiu.
A abordagem tradicional exigia acesso a água líquida pura, o que limita o uso de eletrólise de água líquida para áreas onde a água é abundante. Agora, ao captar a água já existente no ar, o DAE elimina este risco, e o custo a ele associado, e permite a produção de hidrogénio em qualquer lugar.
“A capacidade de usar a humidade do ar torna este módulo DAE aplicável em ambientes remotos, áridos e semiáridos, onde a acessibilidade à água doce é um grande problema”, frisou o especialista. “A maioria das áreas da Terra com alto potencial solar e eólico carece de água doce. Por exemplo, um deserto é considerado um bom lugar para energia solar mas não para água doce.”
“Funciona para quase todos os ambientes aéreos da Terra. O nosso módulo DAE foi testado em 4% de humidade relativa, que é mais seco do que qualquer deserto”, referiu.
Segundo o artigo, o protótipo deste dispositivo foi testado usando energia de entrada do sol e descobriu ter uma eficiência estável – a eficiência com a qual a carga é transferida – de cerca de 95% ao longo de 12 dias consecutivos.




