Observe como uma enzima ‘Pac-man’ devora plástico e se torna uma solução para um dos grandes desastres ambientais a nível mundial

PET representa cerca de 12% de todo o lixo global – como todos os plásticos, é feito de longas moléculas ‘semelhantes’ a cordas. A enzima consegue reduzir em partes menores antes da ‘reciclagem’ química. Em alguns casos, os plásticos levam apenas entre 24 e 48 horas para se decompor completamente. Nos oceanos, por exemplo, estes produtos podem sobreviver durante séculos

Francisco Laranjeira

Uma proteína ‘semelhante’ ao ‘Pac-Man’, que tem especial apetite por plástico, pode abrir portas para resolver um dos maiores problemas ambientais a nível mundial: os milhares de milhões de toneladas de lixo em aterros sanitários. Os investigadores da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, desenvolveram esta enzima especial para destruir o PET (polietileno tereftalato), uma substância que é comummente utilizada pelos fabricantes em embalagens de alimentos e bebidas, têxteis e fibras.

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O seu desenvolvimento, cujo estudo foi publicado na revista ‘Nature’, ofereceu esperança de ajudar a resolver a poluição global, permitindo uma reciclagem completa de resíduos plásticos, o que poderia permitir às grandes indústrias recuperar e reutilizar produtos a nível molecular. “As possibilidades são infinitas em todos os sectores para alavancar este processo de reciclagem de ponta”, explicou Hal Arper, responsável pelo estudo.

“Além da óbvia indústria de gestão de resíduos, também oferece às empresas de todos os sectores a oportunidade de liderar a reciclagem dos seus produtos. Através destas abordagens enzimáticas mais sustentáveis, poemos começar a vislumbrar uma verdadeira economia circular de plásticos”, explicou o investigador.

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O PET representa cerca de 12% de todo o lixo global – como todos os plásticos, é feito de longas moléculas ‘semelhantes’ a cordas. A enzima consegue reduzir em partes menores antes da ‘reciclagem’ química. Em alguns casos, os plásticos levam apenas entre 24 e 48 horas para se decompor completamente. Nos oceanos, por exemplo, estes produtos podem sobreviver durante séculos.

O processo de desenvolvimento da enzima contou com colaboração de Inteligência Artificial (IA), que gerou novas mutações a uma enzima natural chamada PETase, que permite que as bactérias degradem o PET – a rede neural computaciona identificou as mutações mais eficazes a menos de 122 graus Fahrenheit (50 graus Celsius), tornando-o assim portátil e acessível. Foram analisados dezenas de itens de plástico descartados, incluindo recipientes, garrafas de águas, fibras e tecidos de poliéster – todos feitos com PET. “Este trabalho realmente demonstrou o poder de reunir diferentes disciplinas, da biologia sintética à engenharia química e à inteligência artificial”, diz o coautor do estudo, Andrew Ellington.

Em 2020, o mundo produziu 367 milhões de toneladas de plástico, dos quais menos de 10% acabaram por ser reciclados. Após o envio deste material para aterros sanitários, a queima é o segundo método mais comum no descarte do plástico. No entanto, as consequências ambientais são extremas, com o lançamento de gases nocivos no ar. Existem processos industriais alternativos mas bastante intensivos em energia, enquanto as soluções biológicas exigem muito menos esforço.

Os autores do estudo revelaram que estão a aumentar a produção da enzima para se preparar para aplicações industriais e ambientais – a equipa do Texas registrou uma patente e está de olho em vários usos diferentes, incluindo a limpeza de aterros sanitários e tornar as indústrias de alta produção de resíduos mais ecológicas. “Ao considerar aplicações de limpeza ambiental, vai ser necessário uma enzima que possa funcionar no ambiente à temperatura normal. Este requisito é onde a nossa tecnologia tem uma enorme vantagem no futuro”, concluiu Hal Arper.

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