Terminam este domingo, dia 30 de abril, as greves que abrangem vários períodos laborais de trabalhadores da CP e da Infraestruturas de Portugal (IP), paralisações que foram convocadas por uma plataforma de sindicatos, para além da paralisação de um mês, decretada pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), mas, sem acordo que tenha respondido às reivindicações dos trabalhadores, as estruturas sindicais avisam, em entrevista à Executive Digest, que já há mais greves a serem planeadas, bem como mais protestos.
A greves na CP e IP, a partir da 8.ª hora de trabalho foi convocada por plataforma de sindicatos composta pela ASCEF – Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária; o SINFB – Sindicato Nacional dos Ferroviários Braçais e Afins; o SINFA – Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários, das Infraestruturas e Afins; o FENTECOP – Sindicato Nacional dos Transportes Comunicações e Obras Publicas; o SIOFA – Sindicato Independente dos Operários Ferroviários e afins; a ASSIFECO – Associação Sindical Independente dos Ferroviários de Carreira Comercial e os STF – Serviços Técnicos Ferroviários.
À Executivo Digest, o coordenador do Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários, das Infraestruturas e Afins (SINFA), António Salvado, diz que o balanço desta greve que agora chega ao fim é “positivo”, já que “resultou em que não houvesse trabalhadores sobrecarregados”. Por outro lado “em termos de negociações, foram zero os avanços”.
“Vemos falta de abertura, por parte do Governo e empresas, com grande apreensão. A partir de agora vamos ter de tomar outras medidas para obrigar a tutela a reagir”, afiança.
Perante o aumento de 1% na Função Pública, anunciado recentemente, e que foi estendido às empresas públicas, o sindicalista aponta que, neste âmbito, poderia motivar uma negociação ou resposta dos responsáveis. “Seria de crer que fizessem uma proposta, fosse por parte das empresas ou do Estado, mas não, não houve qualquer avanço nesse sentido”, descreve à Executive Digest.
“Teremos mais greves, e mais formas de luta, eventualmente ações de rua. Estamos na expetativa [de ver alguma reação do governo ou empresas], se não houver, nos próximos dias teremos de decidir quando agendar os protestos”, explica António Salvado.
Já António Domingues, presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), diz à Executive Digest que a greve de um mês verificou uma dualidade: “O balanço que fazemos foi positivo e negativo. Positivo, porque as greves decorreram com forte adesão dos trabalhadores, que é o que desejávamos, estão a mostrar o seu descontentamento. Negativo, porque não há acordo com a empresa nem com a tutela. Houve contactos, houve promessas, mas não ficámos satisfeitos com isso nem com o que nos apresentaram em termos de acordos”.
Perante esta realidade, mais greves “estão e estarão sempre em cima da mesa”, até porque os trabalhadores e associados “pressionam nesse sentido e apelam a mais protestos”.
Sobre o aumento de 1% na Função Pública, António Domingues destaca que “qualquer atualização é positiva, mas é marcadamente insuficiente para cobrir a inflação e 2022, que é o que exigimos”, afirma, recordando as reivindicações dos maquinistas.
Sem adiantar datas, o responsável diz que já há contactos informais sobre as novas greves e protestos, que deverão ser anunciados “em breve”.
O presidente do SMAQ termina, deixando um aviso: “O tempo definido para negociações está a esgotar-se. Se não houver mudanças, haverá naturalmente mais pré-avisos de greve”.
Recorde-se que os trabalhadores pedem “aumentos salariais efetivos”, a “valorização da carreira da tração” e melhoria das condições de trabalho nas cabines de condução e instalações sociais e das condições de segurança nas linhas e parques de resguardo do material motor.
Reclamam também “humanização das escalas de serviço, horas de refeição enquadradas e redução dos repousos fora da sede”, um “efetivo protocolo de acompanhamento psicológico aos maquinistas em caso de colhida de pessoas na via e acidentes” e o “reconhecimento e valorização das exigências profissionais e de formação dos maquinistas pelo novo quadro legislativo”.





