«O tempo está a esgotar-se». Coronavírus enfrenta ponto de viragem

Este alerta surge depois de Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da Organização Mundial da Saúde, ter dito que «a janela de oportunidade [para conter o surto] pode vir a fechar-se». 

Executive Digest

Com quase 78 mil casos confirmados em todo o mundo, os especialistas receiam que o coronavírus possa vir a enfrentar um ponto de viragem crítico, revela o “The Guardian”.

«O fim do período em que somos capazes de prevenir uma epidemia global parece agora muito mais próximo depois das últimas 24 horas», alertam.

Este aviso surge depois de Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da Organização Mundial da Saúde, ter dito que «a janela de oportunidade [para conter o surto] pode vir a fechar-se». A Itália, o Irão e a Coreia do Sul são os países que têm tido mais problemas depois da China, onde o surto começou em Wuhan, na província de Hubei.

Itália, onde foi confirmada a quinta morte por coronavírus, colocou este fim-de-semana de quarentena 11 localidades no Norte do país, para tentar conter o surto mais grave de Covid-19 em território europeu. A medida afecta mais de 50 mil pessoas e a polícia tem estado a reforçar patrulhas de estrada.

O Irão, por sua vez, já fechou escolas e universidades em 14 províncias como «medida preventiva» e a cidade santa de Qom tem já registadas 50 mortes provocadas pelo novo coronavírus, adiantou esta segunda-feira a agência semioficial iraniana “ILNA”, citada pela “Lusa”, acrescentando que o primeiro caso ocorreu a 13 de Fevereiro.

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A televisão estatal e a agência semioficial “ISNA” avança que o total de casos confirmados de Covid-19 no país passou de 43 para 47, incluindo as 12 vítimas mortais, citando o deputado Assadollah Abbasi.

Entretanto, vários países da região encerraram as fronteiras com a República Islâmica do Irão para tentar conter o vírus, nomeadamente o Paquistão. Já o Afeganistão anunciou que iria suspender as viagens para o Irão. A Turquia também encerrou as suas fronteiras e disse que suspenderia os voos vindos do Irão, acrescentando que todas as estradas e ferrovias na fronteira estariam fechadas no domingo à tarde. A Jordânia, por sua vez, já não permite a entrada de cidadãos da China, Irão e Coreia do Sul e outros estrangeiros vindos desses países.

Até domingo, o Irão era o único país do Médio Oriente a registar mortos – oito desde quarta-feira passado, entre 43 casos confirmados. Este é o maior número de mortes registado fora da China. Quatro novas infecções surgiram em Teerão, sete em Qom, duas em Gilan e uma em Markazi e Tonekabon, disse o porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Kianoush Jahanpour.

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A Coreia do Sul regista 602 infectados e mais duas mortes desde sexta-feira passada. Entretanto, as autoridades colocaram o país sob alerta vermelho – o máximo da escala. A activação do protocolo foi determinada após o número de contágios se ter multiplicado por 17 em cinco dias, sobretudo em torno da cidade de Daegu, no sudeste do país.

Alertando que a epidemia de vírus na China era «ainda sombria e complexa» do que se julgava, o Presidente chinês, Xi Jinping, pediu no domingo mais esforços para travar o surto, de acordo com a agência de notícias chinesa “Xinhua”. «A prevenção e o controle estão na fase mais crítica», sublinhou Jinping, que descreveu os próximos dias como «um momento muito importante».

Ainda neste domingo, quatro dos 32 passageiros britânicos do Diamond Princess que tinham regressado a casa deram positivo para o Covid 19, depois de terem cumprido as duas semanas de quarentena no navio e de terem tido autorização do Governo japonês para deixarem o país. Estes quatro casos elevam para 13 o número de infectados no Reino Unido.

Embora o número de infectados esteja a aumentar em todo o mundo, nem todos demonstraram uma ligação óbvia com a China, deixando os especialistas intrigados sobre a fonte de contágio. Ao “The Guardian”, Paul Hunter, professor de Medicina na Universidade de East Anglia, repetiu o aviso de Tedros e disse que «o tempo para conter a doença está a esgotar-se». 

Hunter salientou que, que enquanto os casos diminuem na China, onde o surto teve início, registaram-se desenvolvimentos «extremamente preocupantes» noutros países. «A identificação de infecções em Itália é uma grande preocupação para a Europa e podemos esperar que haja mais alguns casos identificados nos próximos dias.»

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Acrescentou ainda que a situação no Irão pode ter vir a ter implicações para o Oriente Médio. «Um outro problema com os casos iranianos são os conflitos armados mais amplos na região», apontou.

Também Robin Thompson, investigador júnior de epidemiologia matemática da Universidade de Oxford, destacou que o número de casos na Itália duplicou entre sexta-feira e sábado e deixa o recado: «Esta é uma fase importante do surto de coronavírus. (…) O isolamento, até mesmo de casos leves, em áreas afectadas é importante para prevenir a transmissão substancial de pessoa para pessoa na Europa».

*Notícia actualizada com novos dados às 11:57

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