A Ucrânia está a transformar o uso de drones numa das marcas da sua resistência à invasão russa, e o P1-SUN, conhecido como “O Sol”, surge como uma das respostas mais recentes aos ataques com drones Shahed, de fabrico iraniano e usados pelas forças de Moscovo. O ’20 Minutos’ destaca este drone intercetor compacto, capaz de atingir velocidades próximas dos 306 km/h e apresentado por operadores ucranianos como uma solução com uma taxa de sucesso quase total contra este tipo de ameaça.
O P1-SUN sobe verticalmente, quase como um foguete, antes de se inclinar para a frente e iniciar a perseguição horizontal ao alvo. Um piloto de drones do Corpo de Fuzileiros Navais da Ucrânia afirmou ao ‘The Sun’ que, quando o aparelho localiza o alvo, a probabilidade de destruição pode chegar aos 99% ou 100%.
A lógica do sistema é simples: usar um drone rápido, pequeno e relativamente barato para destruir outro drone antes de este atingir cidades, infraestruturas críticas ou posições militares. O aparelho pode voar a cerca de 270 km/h e atingir picos próximos dos 305 km/h. Em patrulha, a bateria dura cerca de 20 minutos; numa perseguição de interceção, a autonomia baixa para sete ou oito minutos.
Takie systemy antydrnowe powinny być jak najszybciej wdrażane w Polsce i dostarczane do jednostek. To najtańszy sposób neutralizowania zagrożeń powietrznych..
Na filmie ukraiński mały interceptor – dron Sting (Wild Hornet) czy P1-Sun raz nakierowany cel, sam dalej podąża za… pic.twitter.com/JKBCH9zldC— Takeshi Kovacs (@PrzemekShura) May 28, 2026
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Uma resposta barata a uma ameaça cara
O argumento económico é central. Segundo o piloto citado, intercetar um Shahed com o P1-SUN custa cerca de 2.000 dólares, aproximadamente 1.720 euros, enquanto um Shahed custa cerca de 50.000 dólares, perto de 42.960 euros. Antes do aparecimento destes drones intercetores, a Ucrânia recorria a sistemas de defesa aérea mais caros, como Patriot ou IRIS-T, para responder a ameaças relativamente baratas.
Essa diferença de custo explica por que razão o P1-SUN interessa para lá do campo de batalha ucraniano. A empresa SkyFall apresentou o drone na feira BEDEX 2026, em Bruxelas, como uma solução de baixo custo para defesas antiaéreas europeias e da NATO que procuram responder a ataques em massa com drones de longo alcance.
O sistema já tinha sido mostrado no World Defense Show 2026, na Arábia Saudita, em fevereiro, mas a presença em Bruxelas deu-lhe uma dimensão mais europeia. A mensagem da SkyFall é clara: a experiência acumulada na Ucrânia pode transformar-se numa solução exportável para países que receiam ataques contra cidades, bases militares, centros logísticos e infraestruturas críticas.
Velocidade, visão térmica e curto alcance
O P1-SUN foi concebido sobretudo para interceções rápidas, não para missões longas de vigilância. Segundo a informação apresentada pela SkyFall, integra tecnologia de visão computacional e câmara térmica para detetar e seguir alvos aéreos, incluindo drones Shahed e Geran-2.
O aparelho pode transportar uma carga útil de cerca de 800 gramas, operar a altitudes até 5.000 metros e atingir um alcance operacional próximo dos 17 quilómetros. Com carga, a autonomia ronda os 14 minutos, o que confirma a sua vocação: levantar voo perto da zona protegida, perseguir o alvo e destruí-lo rapidamente.
O ’20 Minutos’ refere que o drone usado pelos militares ucranianos transporta cerca de 500 gramas de explosivos e pesa apenas 1,5 quilos totalmente carregado. A principal limitação apontada pelos operadores está na manobrabilidade. O P1-SUN não consegue fazer curvas muito apertadas, o que obriga o piloto a manter movimentos suaves para evitar danos no motor.
Europa olha para a defesa em camadas
A importância do P1-SUN está menos na ideia de substituir sistemas como Patriot ou IRIS-T e mais na possibilidade de acrescentar uma camada barata à defesa antiaérea. Em ataques de saturação, com dezenas ou centenas de drones baratos, usar mísseis muito caros em cada interceção torna-se financeiramente difícil e pode esgotar rapidamente os arsenais.
É esse problema que a Ucrânia enfrenta diariamente e que a Europa começa a observar com maior atenção. Uma arquitetura de defesa mais densa pode combinar radares, sensores eletro-óticos, guerra eletrónica, armas convencionais, mísseis e drones intercetores como o P1-SUN. O objetivo é reservar os meios mais caros para ameaças mais complexas e usar soluções mais baratas contra drones de ataque descartáveis.
A presença da SkyFall em Bruxelas mostra também que o debate europeu sobre antidrones está a mudar. Já não se trata apenas de detetar ou bloquear drones por interferência eletrónica; trata-se também de os destruir de forma rápida, repetida e economicamente sustentável.
O campo de batalha como laboratório
O caso do P1-SUN mostra como a guerra na Ucrânia acelerou a inovação militar. As empresas ucranianas estão a desenvolver sistemas pensados para produção rápida, substituição simples e missões muito específicas, moldadas por necessidades reais de combate.
O drone “O Sol” nasce precisamente dessa lógica. É pequeno, rápido, relativamente barato e desenhado para um problema concreto: abater drones Shahed antes de estes cumprirem a sua missão. Não resolve sozinho a defesa aérea da Ucrânia, nem da Europa, mas pode aliviar a pressão sobre sistemas mais caros e aumentar a capacidade de resposta a ataques em massa.
Para já, a promessa é clara: se a Rússia usa drones baratos para obrigar a Ucrânia a gastar mísseis caros, Kiev quer responder com uma arma igualmente económica. E essa lógica pode tornar-se uma das chaves da defesa aérea europeia nos próximos anos.













