O seu próximo carro vai vigiar se está distraído: novas regras europeias chegam em julho. O que está em causa?

Medida faz parte do Regulamento Geral de Segurança aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, no âmbito da estratégia europeia de redução da sinistralidade rodoviária e da meta de alcançar “zero mortes” nas estradas até 2050

Automonitor

A partir de julho, os veículos novos matriculados na União Europeia terão de incorporar um conjunto alargado de sistemas obrigatórios de segurança, incluindo tecnologias capazes de monitorizar o comportamento do condutor, detetar distrações e registar dados do veículo antes, durante e depois de um acidente, avança o ‘HuffPost’.

A medida faz parte do Regulamento Geral de Segurança aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, no âmbito da estratégia europeia de redução da sinistralidade rodoviária e da meta de alcançar “zero mortes” nas estradas até 2050.

Algumas destas tecnologias já eram obrigatórias desde 2024 para novos modelos homologados, mas 7 de julho de 2026 marcará uma nova fase. A partir dessa data, nenhum carro novo poderá ser matriculado na União Europeia se não integrar todos os sistemas avançados de segurança previstos na regulamentação.

Uma das principais novidades será o sistema avançado de alerta de distração do condutor, conhecido pela sigla ADDW. Na prática, estes sistemas recorrem a câmaras interiores, sensores e algoritmos para analisar a atenção do condutor, incluindo a direção do olhar ou o tempo durante o qual desvia os olhos da estrada.

Quando o veículo deteta uma distração prolongada, pode ativar alertas sonoros e visuais para chamar a atenção do condutor para o risco. O objetivo é reduzir acidentes associados a falhas humanas, distrações ou perda de atenção ao volante.

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As regras europeias preveem, contudo, limites ao tratamento de dados. Estes sistemas terão de respeitar a privacidade dos ocupantes, não poderão recorrer a reconhecimento facial e não deverão armazenar dados pessoais de forma permanente ou reter informação considerada desnecessária sobre o condutor.

A UE justifica o reforço tecnológico com o peso do erro humano na sinistralidade rodoviária. De acordo com os dados citados pelo ‘HuffPost’, cerca de 95% dos acidentes estão associados a erro humano, distrações ou falhas na condução. Em 2024, quase 19.800 pessoas morreram nas estradas europeias e mais de 100 mil ficaram gravemente feridas.

Outra alteração relevante será a generalização do Registador de Dados de Incidentes, conhecido como EDR ou ‘caixa preta’. Este dispositivo registará parâmetros do veículo imediatamente antes, durante e depois de um acidente, permitindo uma reconstrução técnica mais rigorosa.

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Entre os dados recolhidos poderão estar a velocidade do veículo, a travagem, a posição do volante, a inclinação do carro e a ativação dos sistemas de segurança. A finalidade é apoiar investigações de acidentes e melhorar a análise das causas de colisões, mas as regras europeias determinam que os dados devem ser anonimizados e protegidos contra utilizações indevidas.

Os veículos novos terão ainda de incluir uma interface preparada para a instalação de alcoolímetros antiarranque, conhecidos como ‘Alcolock’. Isto não significa que todos os carros passem a trazer um alcoolímetro de série, mas sim que terão de sair de fábrica tecnicamente preparados para o receber, caso um Estado-membro decida impor esse sistema em determinados contextos.

Alguns países europeus já utilizam estes dispositivos em casos específicos, nomeadamente para condutores reincidentes em infrações relacionadas com álcool ou em determinadas frotas profissionais.

O pacote de segurança inclui ainda outras tecnologias que já começaram a chegar progressivamente aos veículos novos, como assistente inteligente de velocidade, deteção de marcha-atrás, sistemas de manutenção na faixa, travagem automática de emergência, controlo inteligente da pressão dos pneus e deteção de sonolência.

Para a indústria automóvel, a nova regulamentação representa uma mudança relevante no desenho dos sistemas eletrónicos e de assistência à condução. Bruxelas quer que estas tecnologias deixem de ser opcionais associadas sobretudo a modelos mais caros e passem a integrar o equipamento de série dos carros novos.

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A estratégia europeia assenta na ideia de que a segurança rodoviária dependerá cada vez mais de veículos automatizados, conectados e capazes de intervir antes de um acidente acontecer. Para os condutores, isso significa carros mais atentos ao comportamento de quem vai ao volante, mas também mais dados, mais sensores e uma nova relação entre segurança, privacidade e tecnologia.

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