Há uma cena que quase todos os condutores conhecem. O semáforo está verde, o carro aproxima-se, a velocidade parece certa e, de repente, a luz passa a amarelo. Durante uma fração de segundo, instala-se a dúvida: travar ou acelerar para tentar passar antes do vermelho?
Esse pequeno momento, aparentemente banal, pode revelar mais do que simples pressa.
O ‘El Economista’ lembra que muitos condutores reagem de forma quase automática, pisando um pouco mais o acelerador para evitar ficar parados. Mas, para os psicólogos, esse impulso não é tão inocente como parece.
A explicação está menos no semáforo e mais no comportamento de quem está ao volante. Especialistas em psicologia do trânsito associam este gesto a uma maior tendência para assumir riscos, sobretudo quando o condutor acredita que ainda controla perfeitamente a situação.
O psicólogo Manuel Fernández, especialista em psicologia do tráfego, explica que muitos automobilistas “subestimam sistematicamente o risco”. Essa perceção distorcida leva-os a sobrevalorizar a própria capacidade de reação e a tomar “decisões potencialmente perigosas”.
Na prática, quem acelera perante o amarelo pode estar a agir movido por uma mistura de autoconfiança excessiva, impulsividade e baixa tolerância à frustração. A espera de alguns segundos no semáforo parece pequena, mas para certos condutores é suficiente para despertar irritação ou vontade de evitar a paragem a todo o custo.
A impulsividade é um dos fatores mais apontados. Vários estudos citados no texto indicam que condutores com menor autocontrolo têm maior probabilidade de acelerar quando o sinal passa a amarelo. Pelo contrário, quem tem mais capacidade de travar o impulso tende a escolher a opção mais segura: abrandar e parar.
Há ainda outro elemento: o efeito de imitação. Alguns condutores constroem a sua forma de conduzir a partir do que veem nos outros. Se é comum ver carros a passar no amarelo, esse comportamento pode acabar por ser normalizado, mesmo quando aumenta o risco de infração ou acidente.
O ‘El Economista’ sublinha também o peso das emoções. O stress, a ansiedade ou a sensação de estar atrasado podem tornar o condutor mais disponível para arriscar. Nesses momentos, o amarelo deixa de ser um aviso para abrandar e passa a ser visto como uma última oportunidade para avançar.
A tolerância à frustração é outro ponto central. Quanto menor for a capacidade de aceitar a espera, maior tende a ser a probabilidade de cometer pequenas infrações. Ou seja, o problema não está apenas no semáforo: está na forma como cada pessoa gere a pausa, o atraso e a perda momentânea de controlo.
No fim, acelerar no amarelo pode parecer apenas um reflexo de condução. Mas, visto pela psicologia, é também um retrato rápido de como se decide sob pressão. E, na estrada, esses segundos entre o amarelo e o vermelho podem ser suficientes para mostrar muito mais do que pressa.













