O retrato das mulheres portuguesas: Da educação, à família, passando pelo trabalho

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que se assinala esta segunda-feira, a Pordata disponibilizou um conjunto de dados estatísticos que traçam o retrato da mulher portuguesa e a sua evolução ao longo dos anos, em contraste com o panorama geral da União Europeia.

De uma forma geral, os dados mais recentes apontam para uma maior igualdade de género. No entanto, ainda há indicadores que revelam diferenças substanciais entre os homens e as mulheres em várias áreas da sociedade portuguesa, desde o trabalho à representatividade política.

Há 100 mulheres para 89 homens

Apesar de nascerem mais rapazes do que raparigas em Portugal, há mais mulheres do que homens. Esta superioridade aumenta à medida que se avança na idade, uma vez que os homens tendem a morrer mais cedo.

Em 2019, por cada 100 raparigas nasceram 106 rapazes. Contudo, há mais mulheres do que homens a partir do grupo etário dos 25 aos 29 anos. No total, por cada 100 mulheres existem 89 homens, segundo os dados da Pordata.

Nos países da União Europeia (UE), em 2019, as mulheres também estavam em maioria na população, com exceção da Eslovénia, Luxemburgo, Malta e Suécia.

As mulheres vivem em média mais 5 anos

Tanto os homens como as mulheres têm beneficiado do aumento do número médio de anos de vida quer à nascença, quer aos 65 anos. Prova disso é que entre 1970 e 2018 os ganhos foram de cerca de quinze anos à nascença, e de seis a sete aos 65 anos.

Em Portugal, a esperança média de vida é maior nas mulheres. À nascença, a diferença em relação aos homens é de seis anos, e aos 65 anos é de quatro. Assim, as mulheres portuguesas vivem, em média, mais cinco anos.

Nos Estados-membros da UE a realidade é a mesma. Em média, as mulheres vivem mais, embora as diferenças entre sexos sejam variáveis consoante os países.

85% das famílias monoparentais são compostas por mulheres

Em Portugal, entre 2005 e 2019, o número de famílias com um só adulto a viver com crianças ou filhos não ativos (até aos 25 anos) quase duplicou – aumentou de 107 mil para 189 mil.

De acordo com os dados estatísticos mais recentes disponibilizados pela Pordata, em 85% das famílias monoparentais portuguesas o adulto é mulher.

Embora na União Europeia as mulheres estejam sempre em maioria nestas famílias, há países onde essa situação é menos expressiva. Por exemplo, na Estónia e na Suécia, a percentagem das famílias monoparentais em que o adulto é mulher é inferior a 70%, segundo dados de 2019.

6% das mulheres são vítimas de violência

Em 2012, 6% das mulheres a residir em Portugal foram vítimas de violência física ou sexual. O valor está abaixo do observado na Europa, cuja média é de 8%.

Em cinco países do bloco europeu, mais de 10% das mulheres afirmaram ter sido vítimas de violência física ou sexual. É o caso da Bélgica, Dinamarca, França, Países Baixos e Suécia.

Quase 60% das mulheres têm o ensino secundário

Em Portugal, o nível de escolaridade das mulheres é superior ao dos homens na faixa etária dos 25 aos 64 anos. Esta superioridade acentuou-se ao longo do tempo no país.

Há quase 30 anos, em 1992, apenas cerca de um quinto de homens e de mulheres tinham, pelo menos, o ensino secundário. Em 2019, esse valor subiu para 56,1% entre as mulheres e para 47% entre os homens.

Em todos os países da UE, com exceção de Portugal, Malta, Espanha e Itália, mais de 70% dos homens e das mulheres têm, pelo menos, o ensino secundário. Neste caso, Portugal destaca-se pela negativa: é o país com menos homens que têm este nível de ensino.

5% das raparigas abandonam a escola

Em Portugal, as raparigas entre os 18 e os 24 anos abandonam menos a escola do que os rapazes. O mesmo acontece em todos os países da Europa, com exceção da República Checa e da Roménia.

No nosso país, a taxa de abandono escolar precoce tem sido superior entre os homens. No entanto, os níveis de abandono escolar em Portugal são significativamente inferiores aos observados no início dos anos 90, quando mais de metade dos rapazes abandonava a escola.

Apesar da recuperação, em 2019, Portugal ocupava o sexto lugar dos países da UE onde a taxa de abandono escolar precoce entre os rapazes era maior. No caso das raparigas, Portugal ocupa a 11.ª posição.

No ano passado, Portugal atingiu a meta de 10% definida pela estratégia Europa 2020 com uma taxa de abandono escolar precoce de 8,9%. No entanto, essa meta é sobretudo alcançada pelo baixo abandono escolar das mulheres (5,1%) face aos homens (12,6%).

Há mais mulheres no ensino superior

As mulheres portuguesas ultrapassaram os homens no número de matriculados no ensino superior, em 1986, e no número de doutoramentos, em 2006.

Nos outros países europeus, também as matriculadas e as diplomadas estão em maioria. O mesmo não se verifica, porém, na Alemanha nem na Grécia, onde há mais homens que mulheres matriculadas no ensino superior.

Já no caso dos doutoramentos a situação é diferente. Em 2018, os homens lideravam em 14 dos 27 países da União Europeia.

Taxa de emprego é inferior nas mulheres

Em Portugal, no grupo etário dos 20 aos 64 anos a taxa de emprego dos homens é superior à das mulheres. Porém, a diferença entre sexos registou uma redução até 2012.

Nos últimos cinco anos a tendência inverteu-se, no entanto. Portugal está agora entre os 14 países da UE que viram aumentar esta diferença das taxas de emprego entre os homens e as mulheres.

Também nos vários países da Europa, a taxa de emprego masculina é sempre superior à feminina. Contudo, há países onde essa diferença entre sexos é menor, como é o caso da Suécia, Letónia, Finlândia e Lituânia. Em sentido oposto, destacam-se Malta, Grécia, Itália e Roménia, onde se assinalam as maiores diferenças.

Mulheres ganham menos 11%

Em todos os países do bloco europeu, a disparidade salarial favorece os homens. De acordo com dados de 2019, Portugal é o oitavo país onde esta disparidade é menor (elas ganham menos 11% do que eles). Portugal é também o terceiro país com a evolução mais favorável nos últimos cinco anos.

A nível europeu, Luxemburgo é o país com o menor ‘gap’ (diferença) salarial, apenas 1%. Já em três países elas auferem menos 20% do que eles, é o caso da Estónia, Letónia e Áustria.

Taxa de desemprego nas mulheres é de 7%

De uma forma geral, a taxa de desemprego das mulheres é mais elevada do que a dos homens, mas a diferença entre sexos tem diminuído. Hoje, as taxas encontram-se relativamente próximas (6,5% entre eles e 7,1% entre elas).

A taxa de desemprego das mulheres em Portugal é, assim, superior à dos homens, mas no quadro europeu nem sempre tal acontece.

Segundo dados de 2019, são onze os países que apresentam uma taxa de desemprego dos homens superior à das mulheres, sendo que na Letónia e na Lituânia essa diferença é maior.

4 em cada 10 deputados são mulheres

Portugal é o quinto país com a maior percentagem de mulheres deputadas no Parlamento, com um crescimento de 21 pontos percentuais desde 2004. Quatro em cada dez deputados da Assembleia da República são mulheres.

Na Finlândia e Suécia, elas representam quase metade dos deputados (48% e 47%, respetivamente). Porém, na Hungria, Malta e Chipre não atingem 20% do total.

Já no Governo português as mulheres representam mais de um terço do executivo. Em apenas quatro países europeus (Áustria, Espanha, Suécia e Finlândia) são já, pelo menos, metade do governo. Na Finlândia chegam aos 58%.

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