A Inflação e política monetária são os temas do último de três episódios do BdP Podcast com vencedores do Prémio Jacinto Nunes. Em conversa juntaram-se desta vez Luís Gonçalves Pereira, da NOVA School of Business and Economics, Miguel Inverneiro, do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, e Manuel Barbosa Pereira, da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, que trocam ideias com a economista Sandra Gomes.
O primeiro assunto a ser discutido foi: Como é que um economista define inflação? Sobre este tema Luís Gonçalves Pereira, da NOVA School of Business and Economics, sublinhou que esta “ocorre quando se verifica um aumento sustentado e continuado do preço dos bens e serviços e este aumento é continuado ao longo do tempo”, o que resulta nos consumidores perderem poder de compra. Neste sentido, no fundo e para um público menos especializado a inflação “acontece quando o preço de uma grande parte ou até de todos os bens e serviços consumidos pelas famílias no seu dia a dia aumenta de forma substancial e contínua” o que “reduz o poder de compra dos consumidores e acaba por afetar todos”.
O jovem salientou ainda, que “tanto uma situação de inflação muito alta como uma situação de deflação, em que os preços vão diminuindo ao longo do tempo, podem ser prejudiciais para a economia razão pela qual preços relativamente estáveis acabam por ser benéficos para o funcionamento da economia”.
Qual a importância dos Bancos Centrais terem um objetivo de inflação ou estabilidade dos preços?
Para Miguel Inverneiro, do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, a resposta foi simples, “passa pela estabilização de preços”, ou seja, ter uma economia em que “os agentes conseguem tomar as suas decisões sem grande incerteza em relação ao nível de preços”, sendo este um dos grandes objetivos dos Bancos Centrais.
“Com a perda de poder de compra e a com a alteração da taxa de juro real, que é efetivamente o que prevalece nas decisões de consumo, de investimento e de financiamento dos agentes, os bancos tem que, logicamente, estar atentos a esta questão”, referiu o aluno do ISEG.
De seguida deu o exemplo de um país com inflação muito baixa, o Japão, que fez com que os consumidores começassem a adiar as suas decisões e desacelerou a economia. No caso que nos é mais próximo na Europa, a inflação é “muito alta e errática”, daí a necessária atenção dos bancos centrais.
O que é que a política monetária deve fazer para reduzir a inflação num momento em que a economia real está em desaceleração?
Sobre este tema, Manuel Barbosa Pereira, da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, sublinhou que “combater a inflação numa economia em declínio é um desafio acrescido”.
“Na Europa existe um desafio acrescido porque o Banco Central rege 20 economias diferentes, agora com a entrada da Croácia”, refere também. Neste sentido a política monetária deve para o estudante ter uma “visão de médio prazo” porque “é muito importante perceber de onde vem esta inflação” para melhor gerir as expetativas dos consumidores evitando a volatilidade na economia real.
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