“O que observo nas organizações é muito semelhante ao que observo nas pessoas: quando há excesso, a capacidade de decidir diminui”, diz Cláudia Ganhão

Segundo Cláudia Ganhão, especialista em Organização Pessoal Minimalista, o problema das organizações modernas não está necessariamente na falta de esforço, mas no excesso de elementos que competem pela atenção dos colaboradores.

André Manuel Mendes

Num contexto empresarial cada vez mais marcado pela multiplicação de ferramentas digitais, reuniões e processos internos, surge uma abordagem que defende um caminho inverso: fazer menos para produzir mais. O conceito de “Minimalismo nas Empresas” propõe a eliminação do excesso organizacional como forma de aumentar a produtividade e a clareza nas equipas.

Segundo Cláudia Ganhão, especialista em Organização Pessoal Minimalista, o problema das organizações modernas não está necessariamente na falta de esforço, mas no excesso de elementos que competem pela atenção dos colaboradores.

“O que observo nas organizações é muito semelhante ao que observo nas pessoas: quando há excesso, a capacidade de decidir diminui. As equipas ficam ocupadas a gerir o sistema, em vez de a trabalhar com foco”, refere a especialista, sublinhando que este fenómeno tem impacto direto na produtividade, energia e bem-estar.

Nas últimas décadas, as empresas acumularam plataformas de comunicação, metodologias de gestão, dashboards e reuniões recorrentes. Em muitos casos, esse crescimento não se traduziu em maior eficiência, mas sim em maior complexidade e ruído organizacional.

Estudos sobre sobrecarga cognitiva em contexto profissional indicam que trabalhadores sujeitos a múltiplas ferramentas e interrupções podem perder até 40% do seu tempo produtivo devido à mudança constante de contexto, um fenómeno conhecido como “custo de troca”.

Continue a ler após a publicidade

Neste enquadramento, o minimalismo empresarial não é apresentado como uma questão estética ou de redução física dos espaços, mas sim como uma abordagem estratégica. “Não é sobre escritórios brancos e mesas vazias. É uma abordagem estratégica que defende a redução intencional do excesso de processos, ferramentas, reuniões, hierarquias e decisões desnecessárias”, explica Cláudia Ganhão.

Na prática, esta filosofia traduz-se em ações como a revisão crítica da necessidade de reuniões, a auditoria às ferramentas digitais utilizadas, a definição de prioridades mais claras, a simplificação de processos e a criação de condições para trabalho focado, sem interrupções constantes.

“A mudança não precisa ser radical. Basta começar por uma reunião eliminada, um processo simplificado, uma ferramenta descontinuada”, conclui a especialista.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.