“O que interessa às pessoas é resolver os problemas concretos”: Marcelo defende atuação do Governo na tempestade Kristin

O Presidente da República visitou esta quarta-feira de manhã o distrito de Leiria, uma das zonas mais afetadas pela tempestade Kristin, e centrou as suas declarações na necessidade de dar respostas rápidas e concretas às populações, relativizando polémicas políticas em torno da atuação governativa.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 4, 2026
12:46

O Presidente da República visitou esta quarta-feira de manhã o distrito de Leiria, uma das zonas mais afetadas pela tempestade Kristin, e centrou as suas declarações na necessidade de dar respostas rápidas e concretas às populações, relativizando polémicas políticas em torno da atuação governativa. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o essencial é garantir que os apoios chegam efetivamente às pessoas.

Questionado pelos jornalistas sobre a atuação da ministra da Administração Interna e eventuais responsabilidades políticas na gestão da crise, o chefe de Estado respondeu que, neste momento, a prioridade deve estar nas necessidades básicas das populações, afirmando que “acho que o que interessa às pessoas é resolver os problemas concretos, de água, eletricidade, telecomunicações, vias, e receberem o dinheirinho na próxima semana”. Ainda assim, reconheceu que a comunicação pública acarreta sempre responsabilidades, sublinhando que “já disse que quando comunicamos temos responsabilidades políticas”, admitindo que “muitas vezes não temos toda a informação e a pessoa é sincera diz que não sabe o que falhou ou então simplificamos”.

O Presidente assumiu que também já passou por situações semelhantes, explicando que “eu também muitas vezes me saiu isso, por ser apanhado num turbilhão e não me saiu bem”, antes de manifestar apoio à atuação do executivo. Na sua avaliação, “sim, acho que o Governo está a gerir bem”, destacando que “a primeira reação do primeiro-ministro ao perceber que era grave foi ir à proteção civil”. Acrescentou que, depois de o Governo ter percebido que os impactos eram mais extensos, “vai para o terreno e nota que é mais ampla e declara calamidade, e é bem”. Ainda assim, apontou que a identificação inicial dos concelhos mais afetados foi “curto, menos bem porque demorou a ter visão”, considerando, no entanto, positivo que “depois quando se teve avançou-se com medidas, o que é bom”.

Marcelo alertou também para as dificuldades práticas na execução das decisões políticas, frisando que “agora, pôr a máquina a funcionar é difícil” e que “para o apoio chegar às pessoas é essencial a articulação com os municípios”. Defendeu a necessidade de um mecanismo eficaz de coordenação, explicando que “tem de haver uma máquina que permita circular o que é decidido lá em cima [pelo Governo] e que faça chegar [as medidas e apoio] às pessoas e aos autarcas”, lembrando que “são os municípios que têm de fazer o levantamento das necessidades junto das freguesias e é um trabalho complicado”.

A visita presidencial ocorre num contexto de fortes impactos humanos e materiais provocados pela depressão Kristin. Desde a semana passada morreram dez pessoas, cinco das quais diretamente associadas à passagem do mau tempo, tendo sido ainda registados outros óbitos relacionados com quedas durante reparações de telhados e casos de intoxicação por geradores. O temporal causou destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, cortes e condicionamentos de estradas e linhas ferroviárias, encerramento de escolas e falhas nos serviços de energia, água e comunicações, além de centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém estão entre os distritos mais atingidos. Perante o cenário, o Governo decretou situação de calamidade em 69 concelhos até ao próximo domingo e anunciou um pacote de apoios até 2,5 mil milhões de euros, incluindo a isenção temporária de portagens em troços das autoestradas A8, A17, A14 e A19.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.