O que há em comum entre um chihuahua e um lobo? Um segredo que a Natureza guardou nos últimos 53 mil anos

Estudo descobriu genes responsáveis pelo tamanho dos cães em ADN de um lobo, contrariando teoria que os cães pequenos são resultado da criação humana

Francisco Laranjeira

Algumas raças de cães estão ‘programadas’ para serem pequenas… há 53 mil anos, segundo revelou um estudo publicado na revista científica ‘Current Biology’. A mutação genética que transformou cães de pequeno porte, como chihuahuas ou o spitz-alemão-anão, também conhecida como lulu-da-pomerânia, a partir dos lobos foi a conclusão do estudo de especialistas liderados pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, que identificaram uma mutação num gene regulador de uma hormona de crescimento canino que está associado a tamanhos corporais pequenos, o que permite refutar a teoria de que os cães pequenos são o único resultado da criação canina pelos humanos após a domesticação, há 20 mil anos.

O estudo – realizado pela geneticista Elaine Ostrander do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano e seus colegas – concluiu uma pesquisa de uma década para a mutação genética subjacente aos tamanhos corporais pequenos em cães e a conclusão chegou quando a equipa procurou sequências genéticas que estavam posicionadas ao contrário e igualmente presentes em outros canídeos como lobos ou em ADN antigo.

Esta abordagem científica produziu uma forma reversa do gene de fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF1), que apresentou variantes que se correlacionaram com o tamanho geral do corpo. “Analisámos 200 raças e manteve-se lindamente”, apontou Elaine Ostrander. “A domesticação canina e o tamanho do corpo estão muito ligados mas as coisas que achamos muito modernas são na realidade muito antigas.”

A análise de amostras de ADN de um lobo antigo para determinar quando a mutação do IGF1 surgiu pela primeira vez permitiu descobrir que estava presente no código genético de uma lobo da estepe que viveu na Sibéria há cerca de 53 mil anos. “É como se a natureza tivesse guardado no bolso por dezenas de milhares de anos até que fosse necessário”, referiu Ostrander.

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