O que esperam as empresas em 2019?

Por Paulo Carmona

Certo é que estamos a assistir a uma desaceleração económica, embora seja cedo para dizer se é apenas uma simples retracção de onda antes da próxima ou um pico de maré altista.

Em resposta à questão que faz título, muito pouco ou nada de bom. É ano de eleições em Portugal, tradicionalmente uma época marcada por ondas de contestação social, algumas greves e agitações de forma a pressionar os eleitores. Um tempo de muita instabilidade política, muitas promessas, muito populismo, retórica antiempresas e o ressuscitar de guerras anacrónicas entre o capital e o trabalho.

E depois a falta de visibilidade sobre qual será o Governo ou quais as políticas a seguir. Especialmente que, agora, graças à dita geringonça, temos múltiplos cenários a considerar onde entram partidos que anteriormente estavam de fora do dito arco governativo, a saber o PCP e o Bloco. Ou seja, tudo é possível e o seu contrário. Daqui a um ano tudo será mais claro, para o bem ou para o mal, afastando a indefinição que é inimiga do investimento e do ambiente empresarial e até da confiança dos consumidores. Certo é que estamos a assistir a uma desaceleração económica, embora cedo para dizer se é apenas uma simples retracção de onda antes da próxima ou é um pico de maré altista. Por enquanto as projecções de crescimento europeu e para Portugal são de ligeiro abaixamento. Os sectores chave, exportações e turismo, têm caído ou estabilizado nestes últimos meses do ano passado. Para 2019, essa queda é para continuar, um pouco mais pronunciada no turismo, talvez com maior incidência no Algarve e na Madeira, no seguimento do ano que passou. Tal seria talvez de esperar dados os crescimentos de dois dígitos que tivemos desde 2016.

Os nossos principais parceiros económicos também estão com cenários de incerteza política e desaceleração económica. Em Espanha os cenários políticos são bastante voláteis e indefinidos, na Alemanha a saída da chanceler Merkel abre uma grande corrente de ar, e o Brexit… enfim, tudo pode acontecer. Portanto este ano será um ano de resiliência para a maior parte das empresas, com diminuição generalizada da procura, interna e externa, um ligeiro aumento do desemprego, e com aumento dos custos laborais dos salários mais baixos.

O investimento privado não deverá descolar e atingir os números previstos pelo Governo, mas será provável que o Estado compense aumentando os seus gastos e o investimento. Afinal, estamos em ano eleitoral e o apuramento do défice só terá lugar em Março de 2020, com Mário Centeno na Europa e o próximo PM bem sentado em São Bento…

De resto, a mesma história, as PME irão continuar sem financiamento, os bancos continuarão a lamber as feridas dos créditos mal-parados, imparidades como se chamam, e a aumentar comissões para irem limpando o balanço. Num país sem capital continuará a inevitável venda de activos a estrangeiros e a deslocalização da dívida pública para aforradores portugueses. Isso é certo e independente dos políticos.

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro de 2019 da Executive Digest.

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