O que é a Euribor e como afeta a prestação da sua casa?

Se tem um contrato de crédito habitação com taxa variável, certamente já ouviu falar da Euribor, pois é frequente utilizar-se este indexante nos empréstimos para comprar casa em Portugal. Esta taxa existe desde 1999, tendo sido criada com a introdução do Euro como moeda única. Por ser tão usada no crédito hipotecário e por este representar grande parte dos encargos mensais dos Portugueses, vale a pena saber em que medida é que este indexante influencia a sua prestação.

As notícias mais recentes confirmam que a Euribor tem vindo a subir, registando-se aumentos significativos a seis e 12 meses. Em maio de 2022, a Euribor a 12 meses ficou mesmo em território positivo. Isto significa que alguns consumidores que tenham o seu crédito da casa indexado a esta taxa viram a sua prestação mensal aumentar nestes últimos dois meses.

 

O que é a Euribor (e porque é que estão sempre a sair notícias sobre isto)?

A Euribor ou, Euro Interbank Offered Rate, é a média das taxas de juros praticadas pelos 52 maiores bancos da zona euro nos empréstimos que fazem entre si, num determinado prazo. Esta taxa existe porque os bancos emprestam dinheiro a outros bancos, tal como fazem a consumidores e empresas, e pagam juros por isso.

Dito de outra forma, a Euribor é um custo para os bancos, um juro a pagar a outras instituições para financiar a sua atividade, custo esse que é depois passado aos consumidores finais de várias formas.

A principal é através dos créditos pessoais e créditos à habitação. De cada vez que a Euribor sobe, os empréstimos com taxa de juro variável ficam mais caros, e pagam uma prestação mensal superior. Se baixarem, normalmente a taxa de juro que paga também desce. Este reflexo não é direto, pode levar semanas ou meses, ou não acontecer de todo.

Outra consequência da Euribor é a remuneração dos depósitos bancários. Quando a Euribor desce, as receitas do banco também descem (recebem menos pelos créditos), pelo que a tendência será para reduzir a remuneração dos depósitos. Por outro lado, quando a Euribor desce, a tendência será a inversa, mas nem sempre se verifica na prática. Tudo depende das decisões de cada instituição.

Para complicar a questão para os consumidores, a Euribor sofre flutuações diárias em função da atividade dos bancos. Mais: não existe apenas uma taxa Euribor, mas cinco, cada uma com um prazo diferente: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses, sendo que cada período corresponde ao momento em que cada taxa é recalculada.

Em Portugal, a mais utilizada para crédito à habitação é a Euribor a 6 meses.

 

Como se calculam as taxas Euribor?

As taxas Euribor calculam-se a partir nos dados disponibilizados pelos bancos mais ativos e financeiramente mais saudáveis da zona Euro. Esta seleção é da responsabilidade da Federação Europeia de Bancos Europeus.

As taxas Euribor são calculadas diariamente e comunicadas às 10 horas de Lisboa. Os valores são obtidos a partir da média dos juros contratados entre os referidos bancos, excluindo 15% das taxas mais elevadas e das mais baixas, e com arredondamento às três décimas.

O comportamento das taxas Euribor encontra-se subordinado aos períodos sociais de retoma e de crise, acompanhando a subida e a descida dos momentos económicos.

 

Os acontecimentos mundiais afetam a Euribor?

Sim. A Euribor reflete o estado da economia e tende a subir em contextos de incerteza. Situações como a pandemia, guerras e crises têm consequências para as economias europeias, aceleram a inflação e podem fazer aumentar a taxa de juro diretora.

 

O que é a taxa diretora?

Esta taxa pode ser vista como a taxa de juro à qual cada Banco Central empresta dinheiro aos bancos comerciais.

Por sua vez, esta subida tem impacto na Euribor, nos créditos habitação de taxa variável novos e existentes, incidindo diretamente nas prestações da casa. É por isso que em momentos de especial incerteza se regista um aumento dos créditos à habitação de taxa fixa.

 

Como é que a Euribor afeta a prestação mensal do seu crédito habitação?

A Euribor é a taxa de referência dos empréstimos à habitação e, em Portugal, a taxa variável de um crédito hipotecário é formada por uma junção do spread (que é a margem de lucro que o banco arrecada para si e que define com base no risco do cliente) com a Euribor.

Portanto, se contratar um crédito habitação com taxa variável, a taxa de juro aplicada à sua prestação mensal será formada por estes dois elementos.

Enquanto que o spread é uma componente fixa (o que está estabelecido entre o cliente e o banco no contrato de crédito não se altera, salvo algumas exceções), já a Euribor não. Se esta aumentar, o valor da prestação mensal da casa aumenta também. Se descer, a mensalidade também sofre uma redução, tornando-se mais acessível para o devedor.

Se contratar um empréstimo com taxa fixa, então a prestação mensal não se alterará durante todo o período do crédito. Porém, num cenário em que a Euribor se encontra abaixo de zero, normalmente compensa contratar com taxa variável, dado que a mensalidade será mais baixa.

Alguns bancos também oferecem uma espécie de taxa mista: um contrato de crédito habitação em que os primeiros cinco, 10, 15 ou mais anos são com taxa fixa, passando depois para variável a partir de uma dada altura.

 

A Euribor tem igualmente impacto nas suas poupanças

Uma pessoa que abra uma conta-poupança num banco está, de facto, a emprestar dinheiro a esse banco.

Os valores da Euribor e das taxas de juro que geram retorno nas poupanças estão interligadas nos países europeus. De cada vez que a Euribor baixa, a margem de lucro do banco reduz-se. Consequentemente, os bancos podem acabar por decidir baixar a taxa de juro das contas-poupança (ou aumentar quando a Euribor sobe).

Daqui decorre que os juros que recebe acompanham, em proporção, as oscilações da Euribor. Quanto mais elevada a taxa, maior a remuneração paga aos depositantes, ou seja, taxas mais baixas implicam uma menor retribuição.

Assim, é certo que sentirá o impacto da Euribor no seu orçamento familiar.

 

O que fazer quando a Euribor fica positiva?

Se a Euribor estiver negativa, os consumidores portugueses que tiverem contratos com taxa variável pagarão menos pela sua casa. Porém, numa situação em que esta taxa suba e fique positiva, o aumento dos encargos financeiros com a casa pode colocar alguma pressão na taxa de esforço das famílias.

Neste sentido, é importante que não se foque tanto na prestação mensal que vai pagar ao banco, mas também no chamado MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), que é o custo total do empréstimo, englobando o capital, os juros, o valor dos seguros de vida e multirriscos e ainda eventuais comissões.

Num cenário de ascensão da Euribor para valores positivos, será que continua a conseguir pagar a sua casa? É uma questão de fazer as contas a uma possível subida da prestação, pressupondo um cenário em que os seus rendimentos não aumentaram proporcionalmente.

 

Taxa fixa ou variável, como escolher?

Existem vantagens e desvantagens de escolher uma taxa de juros variável vinculada a um índice de referência como a Euribor. Como os pagamentos mensais estão sujeitos a flutuações, estes descem num ambiente económico de baixas taxas de juro.

Por outro lado, a opção por taxas de juro variáveis oferece mais flexibilidade no prazo de pagamento do empréstimo. Esta opção pode ser adequada se preferir pagamentos mensais mais baixos, embora por um longo período de tempo.

No entanto, por vezes as mudanças nas taxas de juros são uma desvantagem. Se as taxas de juros subirem, é provável que os pagamentos mensais aumentem. E mesmo que desçam, esta incerteza faz com que não seja fácil calcular quanto pagará até ao final do empréstimo. Como os prazos são muito longos, muitas vezes de várias décadas, é impossível prever o desempenho da Euribor.

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