O governo alemão decidiu ativar a primeira fase de um plano de emergência para gerir o abastecimento de gás, refere a Reuters. A medida serve para antecipar uma eventual interrupção do fornecimento de gás que vem da Rússia, e do qual a Alemanha está muito dependente.
Falando à imprensa, o ministro da Economia e do Clima, Robert Habeck, sublinhou que a Alemanha se encontra numa situação em que “cada ‘quilowatt’ hora de energia poupada é uma contribuição”.
No ano passado a Alemanha importou 55% do gás à Rússia. No primeiro trimestre deste ano essa percentagem diminuiu mas continua a ser elevada: 40%.
“A questão decisiva é como estarão cheios os tanques no próximo Outono e no período que antecede o Inverno, e temos de nos preparar para isso”, sublinhou o ministro alemão.
Habeck já advertiu que a Alemanha não vai conseguir ser independente do fornecimento de gás da Rússia antes de meados de 2024.
O problema do pagamento em rublos
Na semana passada o governo russo anunciou que ia criar um mecanismo até ao dia 31 deste mês para que os países considerados “hostis” pagassem o gás em rublos. Entre os países “hostis” está a Alemanha, tal como os restantes países da União Europeia.
A maioria destes países fazem os pagamentos em euros e dólares, e o ministro alemão Habeck rejeitou logo a exigência russa, argumentando que os contratos estabelecidos seriam respeitados nos termos atuais.
Qual é o plano alemão para o gás?
O plano de emergência do governo alemão tem três níveis. O primeiro, que já foi ativado, é para quando há sinais de que pode haver um abastecimento de gás de emergência.
O segundo nível ocorre quando há uma interrupção no fornecimento de gás ou há uma procura por gás extraordinariamente grande que perturba o equilíbrio habitual, embora ainda possa ser corrigido com uma intervenção do governo.
O terceiro nível é descrito como o nível de emergência, quando as medidas implementadas falham na tentativa de corrigir a escassez no fornecimento de gás.
A partir desse momento, o regulador alemão deve decidir como distribuir o abastecimento de gás remanescente no país.
Quem será afetado primeiro?
Se a Alemanha não assegurar reservas de gás suficientes, o setor industrial, para o qual é canalizado um quarto do gás, vai ser atingido primeiro.
As residências privadas vão ter prioridade relativamente à indústria. Hospitais, lares e outras instituições públicas são as últimas a serem afetadas pela interrupção no fornecimento de gás.








