A Finlândia prepara-se para anunciar, esta quinta-feira dia 12 de maio, aquela que se espera ser a decisão de se candidatar à NATO. A data foi inicialmente avançada pelo jornal finlandês Iltalehti, no início deste mês.
O Presidente da República, Sauli Niinisto, deve apresentar a sua posição pessoal sobre uma candidatura hoje, (que se prevê ser favorável à adesão) enquanto a posição dos sociais-democratas finlandeses, no poder, é esperada para este sábado.
Os presidentes dos partidos e dos grupos parlamentares provavelmente ainda vão realizar uma reunião conjunta após o anúncio de hoje, segundo o jornal, sendo que a primeira-ministra Sanna Marin já aprovou que a posição presidencial seja tornada pública esta quinta-feira.
A decisão da Finlândia de se candidatar à NATO será depois confirmada pela Comissão Ministerial de Política Externa e de Segurança TP-Utva, formada pelo Presidente da República e ministros-chave.
De seguida, a decisão é submetida ao Parlamento como uma comunicação. Já foi redigido um texto no Ministério dos Negócios Estrangeiros, que será aprovado pelo TP-Utva e comunicado ao Parlamento.
O objetivo, refere o Iltalehti, é que este anúncio de candidatura não seja discutido nas comissões parlamentares, nem sujeito a votação, mas seja levado à NATO “em alta velocidade”.
Posto isto, o Conselho da NATO reunir-se-á imediatamente. Os 30 embaixadores dos países da aliança tomarão uma decisão sobre convidar a Finlândia para as negociações de adesão.
Mas a Finlândia não é a única a preparar uma adesão à NATO. Também os sociais-democratas da Suécia, atualmente no poder, vão decidir este domingo, dia 15 de maio, se apoiam a candidatura do país à NATO, sendo depois o processo semelhante.
O apoio à adesão pelo Partido Social-Democrata sueco, o maior partido do país, seria histórica e representaria uma reviravolta da linha política da força partidária e da primeira-ministra sueca (e líder do partido), Magdalena Andersson.
Tal decisão abriria o caminho para a adesão sueca à NATO. Com o eventual apoio dos deputados sociais-democratas passaria a existir uma larga maioria no parlamento sueco a favor da candidatura do país à Aliança Atlântica, que pode ser reforçada no caso de formalização da candidatura da vizinha Finlândia, prevista para os próximos dias.
A invasão russa da Ucrânia destruiu a crença de longa data de que ficar fora da aliança permitiria que estas duas nações nórdicas evitassem problemas com o seu vizinho russo.
Em dois meses as sondagens deram uma reviravolta e agora o voto do “sim” vence por maioria esmagadora. “Acho que o que estamos a ver é um maior interesse dos suecos e finlandeses para se juntarem à Aliança”, refere Bruce Jentleson, professor de políticas públicas da Duke University, ao ‘La Vanguardia’.
“A reação inicial é ver apenas os benefícios, a proteção que a NATO oferece. Mas entrar obrigá-los-ia a participar em desdobramentos que talvez daqui a dois ou três anos não vão querer fazer”, ressalva.
Perante a cólera previsível de Moscovo, Helsínquia e Estocolmo procuraram nas últimas semanas um compromisso dos aliados que lhes garanta segurança durante o período de candidatura, altura em que estariam mais vulneráveis porque ainda não estão sob a proteção do artigo 5.º da NATO.
No mês passado, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, agora vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, alertou que uma mudança de rumo em ambos os países obrigaria Moscovo a fortalecer a sua presença militar no Báltico. No entanto, a ação militar parece improvável, num momento em que as forças russas mal avançam na Ucrânia.














