Com a chegada do tempo mais frio e do inverno para breve, diz-nos a experiência (e os alertas das organizações e autoridades de saúde nacionais e internacionais) que é a altura em que, após o verão, começam a aumentar os casos de Covid-19, numa eventual nova onda da pandemia.
Se alguns enfrentam a possibilidade de serem infetados com a doença pela primeira vez, outros podem voltar a estar doentes uma segunda, terceira ou até quarta vez. Nos casos de reinfeção, há sempre dúvidas sobre se a experiência vai ser igual à primeira vez, se os sintomas serão mais ou menos severos ou se vão sequer existir.
Especialistas norte-americanos ouvidos pela NBC garantem que é “complicado” prever como será uma reinfeção, uma vez que depende de vários fatores, sendo que os principais são: o tempo que passou entre a última infeção pela doença e a atual, o risco de doenças e comorbilidades associadas e quanto tempo passou desde que recebeu o último reforço da vacina contra a Covid-19, ou se foi vacinado de todo.
“Nos casos de reinfeção, podemos esperar tudo. Na grande generalidade dos casos, a infeção vai parecer mais ligeira e os sintomas menos intensos”, começa por explicar Gabe Kelen, médico, professor e chefe de emergência médica na John Hopkins University School of Medicine.
‘Timing’ das vacinas e de infeções anteriores é fator-chave
Na recuperação de uma infeção por Covid, o doente vai ter anticorpos no sistema que “vão estar alerta para uma futura reinfeção”, garante Roy Gulick, chefe do departamento de Doenças Infeciosas na universidade Weill Cornell Medicine, em Nova Iorque.
No entanto, nem todos estes anticorpos vão ajudar a combater a infeção por Covid-19 seguinte. Os que vão efetivamente ajudar no combate podem, de facto, diminuir a quantidade e gravidade dos sintomas que surjam.
Da mesma forma, se tiver a vacina contra a Covid-19, e o respetivo reforço, em dia, há “um risco diminuído” de doença severa, explica Lucy Horton, especialista em doenças infeciosas na Universidade da Califórnia-San Diego.
Ambos estes fatores (tempo entre última infeção e vacinas atualizadas) podem ajudar a prevenir uma reinfeção, mas nenhum garante que não vai voltar a ficar doente outra vez, ou que os sintomas vão mesmo ser mais leves. Nenhuma vacina ou imunidade natural tem 100% de eficácia, e as doses de reforço da vacina Covid-19 geralmente têm um período de maior eficácia que dura entre três a quatro meses, antes de a “proteção ótima começar a baixar”, adianta Roy Gulick.
Variantes influenciam sintomas
Num eventual caso de reinfeção, atualmente a variante mais comum é a Omicron, ou uma das suas subvariantes. Em Portugal, segundo o relatório emitido pela DGS na última semana, a linhagem BA.5 da variante Omicron era a dominante, responsável por 94% dos casos de infeção.
Trata-se de uma variante cujas linhagens geralmente causam sintomas menos graves que outras variantes anteriores, o que parcialmente também pode ser explicado pela maior proteção conferida pelas vacinas e infeções anteriores. Se esteve doente com Covid-19 antes do surgimento da variante Omicron, em novembro do ano passado, o mais certo é que a reinfeção seja menos severa.
Ainda assim não será uma reinfeção sem quaisquer sintomas, até para pessoas mais jovens, saudáveis e vacinadas: dores de garganta, dores de cabeça, cansaço, tosse, nariz entupido e dores musculares podem durar vários dias.
Um estudo do Centro para o Controlo de Doenças Infeciosas dos EUA revelou que pessoas infetadas com outras variantes do coronavírus, quando ficaram doentes com a variante Omicron apresentaram menos sintomas. Diferentes variantes podem significar também sintomas diferentes. Roy Gulick explica que estudos mostram que dores de garganta são mais comuns com a variante Omicron. Da mesma forma, nas variantes anteriores os sintomas mais comuns eram a perda do olfato e paladar.
Como se deve proteger de uma eventual reinfeção?
Lucy Horton explica à CNBC que a melhor forma de estar protegido contra uma nova infeção por Covid-19 é mesmo ter o reforço da vacina em dia, particularmente se o reforço em causa for eficiente contra as linhagens BA.4 e BA.5 da Omicron e contra anteriores variantes da Covid.
Outras formas de evitar ficar doente, reduzindo o risco de infeção, é evitar espaços fechados e com grande ajuntamento de pessoas e usar máscara dentro de edifícios e estabelecimentos, caso o índice de transmissibilidade estiver a aumentar.
“Não é inevitável que algumas pessoas sejam reinfectadas com Covid-19. Mas acho que há muitas coisas que as pessoas podem fazer para se protegerem”, termina a especialista.




