Os diplomatas da União Europeia estão há duas semanas a negociar e debater-se para chegar a um acordo entre os 27 Estados-membros para o embargo ao petróleo russo proposto pela Comissão Europeia, com o intuito de ser incluído no sexto pacote de sanções a ser imposto à Rússia.
O grande obstáculo a esse acordo tem sido Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro, que até comparou a proposta de embargo ao petróleo russo a uma “bomba atómica”.
Esta segunda-feira, o governo de Budapeste apresentou uma nova barreira a um consenso: exigiu entre 15 a 18 mil milhões de euros para deixar cair a sua dependência do petróleo da Rússia. A exigência irritou os diplomatas da União Europeia e colocou em causa se o bloco europeu vai conseguir alcançar um acordo nesta matéria.
Um diplomata da UE disse ao Politico que a jogada húngara é “imoral”, considerando que este não é o tipo de negociação para ocorrer em tempo de guerra.
A resolução para este impasse e para alterar a posição de Orbán pode acontecer numa cimeira especial dos líderes da União Europeia no final deste mês, mais precisamente nos dias 30 e 31. O primeiro-ministro húngaro e a sua equipa já tinham afirmado que as sanções a bens energéticos são tão importantes que devem ser discutidas pelos chefes de Estado do bloco europeu em vez dos seus representantes em Bruxelas.
A questão que se coloca agora em Bruxelas é quão longe está disposta a ir a Hungria? É que Orbán já tem um histórico de ameaças de veto para obter concessões da União Europeia.
Diplomatas da UE suspeitam que a tática de Orbán para empatar este acordo tem como objetivo levar a Comissão Europeia a recuar na intenção de cortar fundos à Hungria por causa do desvio das regras de Estado de Direito do bloco, muito embora as negociações relativas ao embargo ao petróleo se estejam a focar nas exigências de Budapeste por tempo e dinheiro para essa transição energética.














