A Rússia parece estar a perder a influência que exercia sobre algumas antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central como consequência da guerra na Ucrânia. Isso ficou recentemente à vista após o último confronto entre as tropas do Azerbaijão e as forças da Arménia em Nagorno-Karabakh, que resultou na morte de três soldados arménios.
Esse confronto gerou uma troca de acusações pouco habitual entre a Rússia e o Azerbaijão e azedou as relações entre Moscovo e Baku.
Após essa escaramuça em Nagorno-Karabakh, a agência TASS informou que as tropas azeris lançaram quatro ataques com drones “violando” o cessar-fogo estabelecido com a Arménia na região.
A Rússia exigiu depois que o Azerbaijão “retirasse as suas tropas” da área que tinham capturado. A resposta do governo de Baku foi surpreendentemente dura. Acusou Moscovo de “parcialidade” e de estar a “mentir”, e criticou o uso do termo Nagorno-Karabakh, uma denominação da região que o governo azeri não reconhece, de acordo com o El Mundo.
A situação não melhorou quando a Rússia anunciou a retirada das tropas azeris da área de Farrukh. Esta informação foi rapidamente negada pelo Azerbaijão. “As informações sobre a retirada não são verdadeiras. O nosso exército segue em total controlo da situação”, declarou o Ministério da Defesa do Azerbaijão.
As divergências entre a Rússia e o Azerbaijão aumentaram desde o início da invasão da Ucrânia, e o Kremlin decidiu bloquear o acesso a vários meios de comunicação do Azerbaijão em russo, argumentando que estes não refletem a sua posição sobre o conflito.
Quanto ao Azerbaijão, o governo liderado por Ilham Aliyev teme que os militares russos destacados em Nagorno-Karabakh permaneçam ali permanentemente, como acontece na Transnístria, na Moldávia.
Mas o Azerbaijão é apenas um dos problema que Putin está a enfrentar nas regiões situadas na esfera de influência russa.
O primeiro-ministro georgiano, Irakli Garibashvili, tem sido pressionado pela população do país para manifestar o seu apoio à Ucrânia, o que demonstra o ressentimento de uma parte significativa da sociedade da Geórgia relativamente à Rússia e a Putin.
No entanto, Garibashvili recusou apoiar as sanções aplicadas pelo Ocidente contra a Rússia.
Já o novo presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, assumiu publicamente que pretende reverter a política de submissão à Rússia sob o pressuposto de que está a construir “um novo país”. O regime de Tokayev até permitiu manifestações de milhares de pessoas em Almaty contra a invasão da Ucrânia.



