O peixe está caro? Empresa de mariscos está oferecer recompensa milionária a quem capturar 27 mil salmões em fuga

Em resposta ao incidente, a empresa, maior produtora mundial de salmão de aquacultura, anunciou uma recompensa de 500 coroas norueguesas (cerca de 42 libras) por cada peixe recapturado.

Pedro Zagacho Gonçalves

A multinacional da indústria de mariscos Mowi lançou um apelo aos pescadores noruegueses para ajudarem a capturar cerca de 27.000 salmões que escaparam de uma quinta de aquacultura na costa noroeste da Noruega. Em resposta ao incidente, a empresa, maior produtora mundial de salmão de aquacultura, anunciou uma recompensa de 500 coroas norueguesas (cerca de 42 libras) por cada peixe recapturado.

A fuga de aproximadamente um quarto da população de 105.000 salmões de uma das jaulas da instalação da Mowi em Storvika V, no município de Dyrøy, foi comunicada à Direção Norueguesa de Pescas no domingo. A empresa informou ter identificado danos no anel exterior da estrutura devido ao mau tempo que assolou a região. Segundo as autoridades, os peixes escapados têm um peso médio de 5,5 kg.

Na segunda-feira, inspetores noruegueses estiveram no local a avaliar os danos e ordenaram à Mowi que expandisse os seus esforços de recaptura. “Normalmente, os piscicultores só podem realizar operações de recaptura num raio de 500 metros em torno da instalação no caso de uma fuga. No entanto, devido à potencial dimensão deste incidente, a Mowi foi instruída a estender os esforços para além desta zona”, afirmou Vegard Oen Hatten, porta-voz da Direção Norueguesa de Pescas.

A empresa referiu tratar-se de “uma situação grave e muito lamentável” e anunciou que os pescadores registados podem entregar os peixes capturados em centros de receção designados na área em troca da recompensa estabelecida.

A fuga de salmões de aquacultura representa uma séria ameaça para as populações selvagens, alertam ambientalistas e cientistas. O principal risco reside na contaminação genética, uma vez que os salmões criados em cativeiro, ao cruzarem-se com os selvagens, podem gerar descendentes menos adaptados ao ambiente natural. Além disso, a presença de salmões de aquacultura aumenta a propagação de parasitas como o piolho-do-mar e intensifica a competição por locais de desova.

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A Noruega, que exporta anualmente 1,2 milhões de toneladas de salmão de aquacultura, tem assistido a um declínio histórico das populações selvagens. No verão passado, esse decréscimo levou ao encerramento de 33 rios à pesca de salmão, e neste ano já foi proposta a interdição de 42 rios e três fiordes.

“Ter 27.000 salmões de aquacultura à solta é um desastre para o salmão selvagem”, declarou Pål Mugaas, porta-voz da organização Norske Lakseelver (Rios de Salmão Noruegueses). “A ciência já demonstrou que a hibridação entre populações selvagens e de aquacultura dá origem a descendentes com uma taxa de sobrevivência reduzida no longo prazo.”

A preocupação com o impacto da aquacultura sobre o salmão selvagem é partilhada pelo Comité Científico Norueguês para o Salmão-do-Atlântico, que classifica os peixes fugidos como uma das maiores ameaças à espécie. Estudos indicam que cerca de dois terços das populações de salmão selvagem na Noruega já apresentam sinais de interferência genética devido à aquacultura.

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Apesar da crescente pressão ambientalista, o governo norueguês mantém a aposta na indústria de aquacultura. No mês passado, o ministro do Ambiente, Andreas Bjelland Eriksen, reconheceu que o salmão selvagem do Atlântico enfrenta uma “ameaça existencial”, mas descartou a possibilidade de proibir as explorações em mar aberto. Em vez disso, afirmou que pretende definir um “nível aceitável” de poluição para garantir a sobrevivência da espécie.

A Mowi reforçou que a fuga foi um evento “lamentável e que não deveria ter acontecido”. O porta-voz da empresa, Ola Helge Hjetland, declarou ao jornal norueguês VG que a empresa está a fazer tudo para minimizar os danos e recuperar os peixes em fuga.

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