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O papel dos empregadores na qualidade de vida familiar das suas equipas

Por José Miguel Baptista, head of Risk Management da Willis Towers Watson Portugal

Este foi um regresso à escola no mínimo atípico. Podemos dizer mesmo sem precedentes, em que os surtos aumentam a cada dia e surgem novas incertezas ao nível da logística familiar e da gestão do tempo livre e educativo dos filhos.

Combinar o trabalho com a educação online ou mista pode aumentar a diferença salarial, de proteção e de igualdade no sistema de trabalho dos pais. E se adicionarmos à equação outros fatores, como crianças com necessidades especiais ou cuidados com idosos, a situação piora.

Nos últimos meses, muitos colaboradores das empresas viram-se obrigados a conciliar a vida profissional e familiar, além de enfrentar o confinamento, o stress e o caos geral que a pandemia produziu a todos os níveis.

As empresas devem, como tal, ter em conta esta nova realidade, adaptando-se e comprometendo-se com os seus colaboradores, trabalhando em políticas de inclusão e diversidade que possam amenizar essa situação e favorecer a produtividade e o bem-estar dos seus colaboradores. Não podemos esquecer que uma boa gestão da diversidade competitiva é benéfica não só para a força de trabalho, mas também para as empresas.

De acordo com dados publicados recentemente pela Willis Towers Watson R&D, organizações com estratégias de inclusão holística alcançam três vezes mais benefícios financeiros e uma taxa de rotatividade 35% menor do que a média, e a capacidade de inovação é seis vezes superior à média nas empresas onde a igualdade de género é garantida.

Combater a desigualdade: o papel das empresas

Enquanto sociedade, continuamos a pesar em questões como a desigualdade derivada do papel tradicional que as mulheres desempenharam e desempenham no dia-a-dia do lar, algo que vai sendo resolvido aos poucos, mas que está longe de estar completamente ultrapassado. Hoje, em pleno século XXI, as mulheres em grande parte do mundo, Portugal incluído, assumem a grande maioria das tarefas de cuidado na família, fazendo malabarismos para trabalhar com quase nenhuma ferramenta promotora da conciliação.

Os desafios que esta crise gerou evidenciam a necessidade de uma melhor cobertura por parte das empresas, em diferentes frentes, às necessidades dos seus colaboradores em tempos difíceis. A ansiedade e a incerteza da força de trabalho podem ser reduzidas através de um plano de execução correto da área de Recursos Humanos, que deve incluir uma metodologia que compreenda plenamente as necessidades dos diferentes grupos e ajude o funcionário a conciliar da melhor forma o seu trabalho, as suas responsabilidades pessoais e familiares.

Mudança de cultura

Para que tudo isto aconteça, será importante criar uma cultura na qual gestores, administradores e funcionários não só reconheçam os desafios e o equilíbrio entre trabalho, parentalidade e educação em casa, como também estabeleçam corresponsabilidade para organizações e funcionários, na definição e cumprimento de regras, princípios e obrigações claras e transparentes, onde a empatia e a segurança psicológica serão essenciais.

Será também fundamental desenvolver e manter uma estratégia de escuta ativa, realizando ações que nos permitam conhecer em primeira mão a experiência e a situação pessoal dos pais que compõem as equipas de trabalho, para responder às diferentes necessidades dos diferentes grupos.

Devemos, portanto, promover conversas e implementar ações que giram em torno do bem-estar em questões como stresse, sono ou bem-estar, do ponto de vista físico, financeiro, emocional e social. Além disso, as empresas devem reconhecer a dignidade que o trabalho flexível acarreta e mostrar a sua confiança aos colaboradores, facilitando a possibilidade de escolher e controlar como e quando o trabalho é realizado.

Da mesma forma, experiências inclusivas para pais que trabalham podem ser promovidas pela definição de objetivos claros, expectativas de contribuição individual para o papel específico que cada um desempenha, colaboração virtual e dinâmica de equipa.

Veremos o que nos reservam os próximos meses, nos quais o desenvolvimento da crise sanitária, os possíveis surtos que possam existir e a real viabilidade do regresso definitivo, presencial ou misto, aos escritórios e salas de aula serão fundamentais. O que devemos deixar claro é que tanto as empresas como os seus líderes devem apoiar programas, práticas e políticas inovadoras que permitam aos funcionários equilibrar trabalho e responsabilidades familiares.

Vivemos tempos turbulentos e devemos estar à altura da situação – não nos esqueçamos que os nossos colaboradores são o presente das nossas empresas e os nossos filhos o futuro da nossa sociedade.

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