O papel das lideranças no pós covid na produtividade Portuguesa

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

 

Julgo que o exemplo da vacinação em Portugal nos permitiu perceber a importância da liderança e da correcta gestão dos 3 Ps nas organizações. Mesmo em Portugal, onde somos considerado um “povo que não governa nem se deixa governar”. Neste projecto da vacinação, temos um Processo (primeiro P) bem definido com critérios claros, um conjunto de Produtos (vacinas – 2º P) eficazes e finalmente um grupo de Pessoas (profissionais de saúde – 3º P) organizado, com regras claras, accountable, motivado e com a noção clara do valor que estão a acrescentar á sociedade com a sua Ação. Para isso precisámos de entregar aos militares, nomeadamente ao Sr Vice Almirante e sua equipa, a liderança do processo. Aliás algo que eu tinha sugerido já em 2020, pois estes definem a estratégia e a tática, são os especialistas da logística (aliás devem ter sido eles a inventar a palavra e o seu significado) e do planeamento, são disciplinados e rigorosos, definem o “plano B” se necessário, são focados e sabem criar confiança pois são competentes. Tudo o que se pretende numa liderança, obviamente não tão hierarquizada como a militar, mas com todos os benefícios da mesma que podem ser adaptados através de um exercício de benchmark, para as nossas organizações. Por isso refiro muitas vezes, que a maior fatia da culpa da falta de produtividade Portuguesa, tem mais a ver com a liderança do que com os trabalhadores. Por isso mesmo, os nossos trabalhadores quando trabalham fora do País, são considerados excelentes e exemplares. Porque têm métodos organizados, processos bem definidos, conseguem resolver os problemas “fora da caixa”, são accountable e dedicados. Em suma, parte da solução de falta de produtividade do nosso País, não tem a ver com praticar salários baixos, mas tem muito mais a ver com 3 pontos fundamentais da sociedade: lideranças competentes baseadas e assentes num óptimo sistema de educação; capacidade de inovação que acrescente valor;  capacidade de criar valor acrescentado da marca Portugal e das marcas Portuguesas. Só desta forma conseguiremos  ter líderes competentes a gerir bem as organizações, criar produtos e serviços que nos diferenciem dos outros países e organizações, produzir e vender marcas Portuguesas em lugar de produzir para terceiros e deixar o valor acrescentados nestes mesmos. Para isso, devemos investir fortemente na educação (secundária e universitária, mas também na pós graduada); na criação de clusters empresariais e áreas de negócio que promovam inovação (juntos somos mais fortes, como é o exemplo do mobiliário ou do calçado, em que as empresas comunicam em conjunto o valor da marca Portugal e dos seus produtos), promovendo a ligação á academia (mas também avaliando a academia pela sua utilidade social e não apenas pela capacidade de gerar conhecimento que não serve a ninguém); finalmente criar uma cultura de empreendedorismo e diferenciação das pessoas e das marcas, através do apoio á sua promoção mas também da capitalização das empresas e da promoção dos “business angels” para dinamizar novos negócios que podem trazer valor. Temos uma oportunidade fabulosa que se avizinha com os investimentos e financiamento Europeu, mas devemos deixar que a economia funcione, as empresas e os privados gerem valor e emprego; o estado regulamente e controle, invista na educação, promova e atraia o investimento direto estrangeiro, sem ter a vontade “normal” de promover todo o investimento de forma quase exclusivamente pública, pois isso apenas vai gerar aquilo que conhecemos, uma sociedade e uma economia medíocre!


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