O objeto mais contaminado num restaurante pode estar mesmo nas suas mãos

Ir a um restaurante continua a ser, para muitos, um momento de lazer e convívio. No entanto, entre cozinhas movimentadas, utensílios partilhados e centenas de clientes ao longo do dia, existem superfícies que podem concentrar uma quantidade significativa de germes.

Pedro Zagacho Gonçalves

Ir a um restaurante continua a ser, para muitos, um momento de lazer e convívio. No entanto, entre cozinhas movimentadas, utensílios partilhados e centenas de clientes ao longo do dia, existem superfícies que podem concentrar uma quantidade significativa de germes, mesmo em estabelecimentos considerados sofisticados.

Segundo especialistas ouvidos pelo HuffPost, o objeto mais contaminado num restaurante poderá não estar na cozinha, nos talheres ou até na casa de banho, mas sim nas mãos dos próprios clientes: os menus.

O alerta foi deixado pelo microbiologista Jason Tetro, conhecido como “The Germ Guy”, durante uma entrevista ao podcast “Am I Doing It Wrong?”, conduzido por Raj Punjabi e Noah Michelson.

Menus acumulam germes devido a erros de limpeza
Jason Tetro explicou que, há alguns anos, realizou visitas a diferentes espaços públicos para identificar os objetos mais contaminados. Nos restaurantes, disse, os menus apareciam consistentemente no topo da lista.

O especialista esclareceu, contudo, que o principal problema não estava necessariamente nos próprios menus, mas sim na forma como eram limpos.

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Segundo Tetro, muitos estabelecimentos utilizam panos já contaminados para higienizar várias superfícies sucessivamente, acabando por espalhar os germes em vez de os eliminar.

O microbiologista alertou ainda para outro erro frequente: a utilização incorreta de produtos desinfetantes. Explicou que aplicar o desinfetante diretamente num pano não garante a descontaminação eficaz da superfície, já que apenas uma pequena área do tecido fica verdadeiramente desinfetada enquanto o restante permanece contaminado.

De acordo com o especialista, o procedimento correto passa por aplicar o desinfetante diretamente no menu e deixá-lo atuar durante o tempo recomendado.

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“Tempo de contacto” é essencial para eliminar bactérias e vírus
Jason Tetro sublinhou que existe um conceito frequentemente ignorado quando se fala em higiene: o chamado “tempo de contacto”.

O microbiologista explicou que os desinfetantes necessitam de permanecer sobre a superfície durante um determinado período para conseguirem eliminar eficazmente vírus e bactérias. Esse tempo pode variar entre 30 segundos e 10 minutos, dependendo do produto utilizado.

Segundo o especialista, muitas pessoas pulverizam o desinfetante e limpam imediatamente a superfície, impedindo o produto de atuar corretamente.

Tetro recordou um estudo realizado em ginásios, no qual os investigadores verificaram que os utilizadores aplicavam o desinfetante e limpavam instantaneamente os equipamentos, apesar das instruções indicarem que o produto deveria permanecer durante 10 minutos.

O microbiologista contou que muitos participantes ficaram surpreendidos ao descobrir que estavam a usar os produtos de forma errada.

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Novos desinfetantes prometem ação mais rápida
Apesar dos problemas associados à limpeza inadequada, Jason Tetro destacou que algumas empresas começaram a desenvolver desinfetantes de ação mais rápida e com fórmulas consideradas mais naturais.

Segundo o especialista, vários produtos atuais utilizam componentes como peróxido de hidrogénio e ácido cítrico, substituindo substâncias químicas mais agressivas e difíceis de identificar pelos consumidores.

Ainda assim, o elevado número de pessoas que manuseiam menus diariamente continua a transformar estes objetos em potenciais focos de transmissão de germes.

Tetro afirmou que, a menos que os menus sejam desinfetados corretamente após cada utilização, continuarão provavelmente a ser “o local mais contaminado de um restaurante”.

Lavar as mãos continua a ser a principal recomendação
Uma vez que os clientes dificilmente conseguem saber se um menu foi devidamente limpo, os especialistas recomendam medidas simples para reduzir o risco de contaminação.

A principal sugestão passa por lavar as mãos ou utilizar desinfetante após manusear o menu, especialmente antes de comer.

Sempre que disponível, o microbiologista aconselha também a utilização de menus digitais através de códigos QR, reduzindo assim o contacto com superfícies partilhadas.

As recomendações aplicam-se igualmente ao ambiente doméstico. Jason Tetro salientou que, em casa, os consumidores devem ler cuidadosamente os rótulos dos desinfetantes e respeitar os tempos de contacto indicados pelos fabricantes para garantir uma limpeza eficaz.

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